
Virada de ano é sempre tempo de previsões. Aqui no blog, não fugiremos da tradição e vamos tentar adivinhar os rumos que o mercado de Search vai tomar em 2011. Mas vamos fazer isso de um jeito diferente.
Nos últimos dias, conversei com algumas das grandes figuras do Search nacional para saber o que cada um deles esperava para 2011. Este post tenta condensar a opinião de cada pessoa com quem conversei, juntar aos meus palpites e transformar tudo em uma visão única e abrangente sobre o que nos aguarda no ano que está começando.
Obviamente, ainda não existe ninguém com o poder sobrenatural de enxergar o futuro. As “previsões” que você verá aqui são baseadas em sinais percebidos por cada pessoa no dia a dia de trabalho. São tendências que podem tanto se tornar realidade, como não passar de uma grande furada. Mas essa é a graça da coisa. Então vamos lá.
A Brincadeira Ficou Séria
Essa é fácil de acertar. Depois de um crescimento muito forte nos últimos anos, parece que o Marketing de Busca finalmente estabeleceu uma base forte aqui no Brasil. E a expectativa de muitos profissionais é de que 2011 seja o ano em que esse mercado seja encarado com a mesma seriedade de qualquer área tradicional do marketing.
Para o colega Rafael Rez Oliveira, da Lógica Digital “as empresas (das maiores às menores) passaram a entender que seus negócios passam pelo papel, pelo telefone, pelo velho fax e agora também pela internet”. Fábio Ricotta, da Mestre SEO, acredita que o a época das empresas descobrirem o potencial e as possibilidades nos sites de busca passou. Já estamos em um momento de investimento real em Search.
Quem Vai Entrar no Jogo
A lenda Alexandre Kavinski, o CEO da I-Cherry, apresentou algumas previsões que dão ideia do nível de seriedade com que Search passará a ser tratado no Brasil. Para ele, assim como vamos ver a demanda aumentando, como acontece na maioria dos mercados, também veremos a oferta do serviço de Search crescendo da seguinte forma:
- As grandes agências irão criar suas próprias áreas de Search. Aliás, esse é um movimento que já começamos a ver em 2010. Na medida em que clientes enxergam a importância desse mercado, não resta outra opção às agências tradicionais. Elas precisam se preparar para atender tal demanda. E como destacou Kavinski, essa criação de equipes internas nas grandes agências vai fazer com que Search se torne uma demanda padrão em todos os projetos de internet, o que ajudará muito na evolução do mercado nacional.
- Como reflexo da criação de equipes internas nas agências tradicionais, também veremos algumas das novas agências de Search sendo adquiridas por esses grandes grupos
- Profissionais estrangeiros migrarão para o Brasil. A previsão de Kavinski é que eles venham para abrir empresas próprias no Brasil, para trabalhar diretamente no cliente ou para desenvolver as áreas de Search nas agências tradicionais. Na medida em que o nosso mercado se amadurece e a própria economia nacional cresce (sem esquecer da valorização do Real), a atratividade do Brasil aumenta. Um prato cheio para investimentos estrangeiros.
Mas ao mesmo tempo em que teremos estrangeiros chegando, Kavinski também acredita que o SEO Global (trabalho com marcas multinacionais) será um grande filão para as empresas brasileiras. E, mais do que isso, 2011 será para o Brasil um ano de preparação para que, em 2012, entre de maneira mais influente no cenário mundial de SEO.
Local, Local, Local…

Essa quase ninguém deixou passar. Se em 2010 nós vimos as buscas locais se tornarem muito mais importantes do que eram (ou por acaso seus resultados de busca no começo do ano passado já vinham assim?), a tendência é que em 2011 esse crescimento continue.
Jason Hall, consultor ex-Shopzilla, acredita que o mercado de buscas locais será tema de uma dura batalha entre grandes sites. Google, Facebook e sites mais especializados como Tripadvisor. Enfim. Todos querem dominar essa área crescente. Então esperem por grandes inovações neste aspecto. Do meu ponto de vista, terá uma grande vantagem competitiva o primeiro player que conseguir tratar bem o problema chamado SPAM. Infelizmente, considerando o Google como exemplo, ainda podemos perceber um algoritmo relativamente primitivo, onde é fácil conseguir grande visibilidade com técnicas básicas de spam, o que desencoraja muitos usuários de darem mais valor a resultados locais.
De qualquer forma, Rafael Oliveira e Alexandre e Kavinski compartilham da visão de que Local Search se tornará cada vez mais comum e importante. Alberto André, da Seleto, acredita que a solução para tratar melhor o spam e exibir resultados locais mais relevantes, passará pela incorporação de fatores sociais ao algoritmo de classificação. E por falar em social…
O Ano Social e Mudanças no Algoritmo
Essa tendência é irreversível. Já falei aqui sobre a crescente integração entre Search e Mídias Sociais. E parece ser um consenso entre os profissionais com quem conversei.
Rafael Oliveira acredita que os tão falados “sinais sociais” serão incorporados aos algoritmos de busca, se tornando fatores mais importantes do que muitos já tradicionais.
E nesse assunto de mudanças no algoritmo, a expectativa de Alexandre Kavinski é de que muitas fortes estão por vir. Entre elas, desvalorização constante das palavras nas URLs e subdomínios. Ele também acredita que sistemas de busca farão uma separação maior entre buscas comerciais e não-comerciais, forçando e-commerces a investir em conteúdo para conseguir boa visibilidade. Por fim, ele concorda com uma consideração de Rand Fishkin, que imagina que em 2011 sistemas de busca admitirão oficialmente que consideram dados como CTR e volumes de visita em seus algoritmos orgânicos.
E o Display?

Já se foi o tempo em que o trabalho do profissional de Search se resumia a SEO e links patrocinados no Google. Hoje, boa parte das campanhas de Search são acompanhadas por investimentos em mídia display, nos grandes canais de segmentação contextual, com a Rede de Display do Google.
E para 2011 prepare-se para ouvir falar muito em Display. Filipe Reis, da Plan B, acredita que veremos um crescimento “fora da curva” nesse mercado. Tudo isso com base na adesão cada vez maior dos anunciantes a essa modalidade da publicidade e da forte disputa pelos chamados espaços Premium, como diárias de Masthead no Youtube, Logout e faixas horárias no Orkut.
O Mercado de Trabalho
E como vai ficar o mercado de Search, em termos práticos, para o número cada vez maior de profissionais (e futuros profissionais) da área? Melhora, piora ou não muda nada?
Como acabamos de ver, 2011 tende a ser o ano da maturidade no Search brasileiro. Com isso, pode-se esperar que:
- Profissionais mais experientes sejam mais valorizados. Na medida em que aumentam as exigências das empresas, mais riscos são envolvidos e mais importante é o sucesso das estratégias de Search. E a melhor maneira de trabalhar com isso é envolvendo profissionais experientes.
- Mesmo com o aumento da demanda, vai ficar um pouco mais complicado se estabelecer no mercado de Search. Exageros à parte, há pouco tempo atrás, qualquer pessoa que soubesse ligar um PC era sério candidato a conseguir vagas em boas equipes de Search do país. Agora, com o mercado mais maduro, as exigências vão aumentar. Somado a isso, já começamos a ver nos grandes centros (como São Paulo) um considerável aumento na oferta de profissionais qualificados. Nesse cenário podemos ver crescer a importância de cursos de qualificação na área, para profissionais em busca de uma boa posição no mercado.
Considerações Finais
Esse post jamais existiria sem a imensa gentileza e consideração de todos os profissionais com quem conversei. Então, acima de tudo, muito obrigado a todos vocês. Espero que esse conteúdo seja de grande ajuda para o mercado do qual todos nós fazemos parte.
Convidei antes do post, via twitter, a todos que quisessem colaborar. Mas se você não viu ou não teve tempo de enviar suas opiniões sobre 2011, por favor, use os comentários.
Por fim, seria impossível para um simples mortal como eu condensar em um único texto todo o conteúdo passado pelos grandes profissionais com quem conversei. E como muitos deles me enviaram suas considerações por e-mail, vou disponibilizar, logo abaixo, a íntegra de todos esses e-mails. Recomendo demais a leitura. Valor inestimável.
Alexandre Kavinski – I-Cherry
Regionalização fará toda a diferença em 2011, os resultados de busca se tornarão mais e mais regionalizados. Com isso se tornará cada vez mais necessário produzir conteúdos regionalizados e mirar outros formatos de resultados de busca.
Eu espero grandes mudanças nos algoritmos dos buscadores, especialmente do Google, minha aposta é que vão começar a segmentar melhor o que é resultado com fim comercial e o que é conteúdo, portanto sites de varejo e afins terão que investir mais em conteúdo relevante se quiserem prevalecer. Acredito também numa relevância cada vez menor para texto das URLs e subdomínio.
Embora não seja grande fã do SEOMoz, corroboro com a previsão numero 1 deles, tbm acho que vai acontecer.
No Brasil vamos começar a dar muito mais atenção para os resultados do Bing, que deve investir pesado no país em 2011.
Os SEOs brasileiros vão finalmente perceber que as ferramentas estrangeiras de análise de links e afins não funcionam tão bem quanto parece para o Brasil. O que será muito positivo ja que as ferramentas precisarão evoluir mais no que diz respeito aos resultados locais para crescer.
Global SEO (que cuida de ações para sites e marcas com presença em diversos países) vai se tornar um grande filão de SEO e isso vai gerar muitas oportunidades para SEOs brasileiros ajudando a profissionalizar ainda mais o mercado.
Grandes agências tradicionais vão desenvolver áreas próprias de SEO e isso vai ser bom, pq vai ajudar a fomentar o mercado consumidor (cliente) e tornar SEO um item essencial de qualquer projeto web. Este processo também vai levar a novas aquisições de agências de search no Brasil (essa é fácil de acertar).
Veremos a migração de alguns profissionais estrangeiros para o mercado brasileiro em três frentes: abrindo empresas próprias de SEO no Brasil, vindo para oportunidades para trabalhar diretamente no cliente, vindo para desenvolver a área de SEO de agências tradicionais.
Será um grande ano para SEO no Brasil, veremos novos profissionais despontando no mercado e teremos um amadurecimento ainda maior que o de 2010, que ja foi fantástico. Acredito que isto será a base para em 2012 o Brasil entrar de maneira mais influente no cenário de SEO global.
Alberto André – Seleto
O mercado de Search em 2010 foi palco de grandes mudanças, Google Caffeine, Google Instant, Real Time, Mayday Update, Mudança da Exibição do Local Search, Influências das Redes Sociais nos resultados e etc. Acredito que em 2011 teremos muitas outras e algumas com impacto maior do que as que ocorreram em 2010.
Eu aposto minhas fichas em um grande crescimento da Geolocalização unido ao Social. Acredito que o Google possa vir a usar os dados de aplicativos de Geolocalização como Foursquare e Gowalla unidos aos dados compartilhados nas redes sociais sobre esses locais. Assim, esses locais passariam a ser mais valorizados pelo Google e passariam a ter um peso maior no rankeamento. Para a inclusão desses fatores poderiam ser considerados dados como comentários e/ou resenhas nas Places Pages.
Além disso, acredito muito no crescimento do mobile unido a isso tudo. Vejo uma grande oportunidade a frente para poder exibir anúncios somente para uma pequena localidade em mobile. Seria uma segmentação por local mais avançada e assim atingiria um público muito mais direto e com mais chance de sucesso.
Fábio Ricotta – Mestre SEO
Creio que 2011 será o ano do aperfeiçoamento da área de search no Brasil. O que vi muito em 2010 e até mesmo no ano de 2009 foi um momento de conhecimento da área, de testes, de descobertas de como as ferramentas podem ser utilizadas no marketing digital da empresa.
Entendo que 2011 será o ano para as empresas notarem mais que os mecanismos de busca direcionam diversos visitantes que CONVERTEM (isso mesmo, em letras maiúsculas) e podem obter ainda mais visitantes realizando trabalhos básicos ou pelo menos ajustando os problemas que o website possui.
Por fim, entendo que as empresas precisarão dosar os esforços em mecanismos de busca (busca orgânica e links patrocinados); em mídias sociais, para entender melhor o que o seu usuário quer; e por fim, gerenciar bem o próprio website e olhar os usuários que já gostam da sua marca.
Filipe Reis – Plan B
Vou quebrar o protocolo e não falar de Search, mas de um ‘mercado irmão’ que como sempre anda junto e compartilha conversões com PPC, vale o registro. Particularmente o movimento que eu vejo é que enquanto alguns mercados digitais como de games, aplicações sociais e o próprio search devem manter seu crescimento consistente já observado em anos anteriores, o tradicional mercado de Display (os famosos banners) dá sinais de crescimento fora da curva para 2011. Quando um grande player como o Google lança uma campanha massiva para divulgar suas possibilidades específicas dessa modalidade de publicidade, é de se prever uma movimentação e adesão natural do mercado. E de cara eles avisam no mote da campanha: “O mercado de Display é grande. Ele será enorme”.
Se conseguirem com Display cifras semelhantes ao que conseguiu com Search em relativo tão pouco tempo, teremos um Google cada vez mais forte. Do ponto de vista técnico e de mídia, toda essa movimentação soa com um tom positivo uma vez que mais opções e inovações surgirão, trazendo novas possibilidades de conversões. Em contra-partida, como já acontece com links patrocinados, podemos ficar a mercê de apenas um grande player, com um monopólio visto poucas vezes em grandes mercados.
Ao que tudo indica e vendo o grande volume de espaços display ‘Premium’ vendidos pelo Google nos últimos tempos (diárias de Masthead no Youtube, Logout e faixas horárias no Orkut) além da crescente adesão da antiga Rede de Conteúdo (hoje Rede de Display) pelo anunciantes do AdWords, o crescimento da empresa no Brasil deve passar dos 3 dígitos em 2011 (foi de 85% em 2010 em relação ao ano anterior). Como gosto de falar, não vai ser agora que os odiadores do velho banner vão se ver livres da sua presença. É acompanhar pra ver.
Rafael R. Oliveira – Lógica Digital
2011 eu acho que é o último ano da consolidação e do social search:
Em 2009 e 2010 o mercado todo entendeu que a internet não é mais promessa, que ela é realidade faz algum tempo. A mídia passou a tratar a internet como uma mídia de igual para igual, não mais como um antro de aficionados por computadores. As empresas (das maiores às menores) passaram a entender que seus negócios passam pelo papel, pelo telefone, pelo velho fax e agora também pela internet. Com isso a competição continuará a crescer exponencialmente e os 10 resultados nas SERP’s ficarão cada dia mais difíceis de conquistar.
O Google tem mostrado uma tendência forte em privilegiar resultados cada vez mais diversos com: múltiplos resultados por domínio, integração com o Local Search e resultados de Mídias Sociais com muita força nos resultados. Em 2011 a Mídia Social como um todo vai começar a se sobrepor aos resultados de busca tradicionais, fazendo que os sinais sociais sejam cada vez mais relevantes. Veremos mais força sendo transmitida por usuários fortes em Mídias Sociais (usuários com muitos views, muitos seguidores, muitos comentários, muitos links, Authority maior) e os círculos sociais serão muito explorados pelos buscadores. A questão do link ser follow ou nofollow será superada pela questão do buzz, quanto mais buzz um assunto gerar, mais força terá nos resultados. Sinto que a conversação terá cada vez mais força nas SERP’s!