20099/01

2009: O ano da Internet e do Empreendedorismo

por Rafael Damasceno

O ano começa e a principal preocupação no mercado mundial é descobrir até onde a crise econômica irá nos afetar e como sobreviver a ela nesse ano.

A expectativa é de um ano difícil em praticamente todos os setores da economia. Gastos foram, estão e continuarão sendo cortados. E como sabemos, um dos primeiros setores a ter orçamentos reduzidos é o setor de marketing.

Nizan Guanaes deixou claro no já clássico vídeo do MaxMídia 2008 sua grande preocupação com a crise e sua “receita de sobrevivência”: ficar quietinho, fazerr o feijão com o arroz e economizar em tudo.

Entretanto, muitos outros fatos parecem bater de frente com essa previsão negra e essa receita de low profile. Pelo menos, para quem trabalha com mídias digitais.

O gráfico abaixo foi criado por Michel Lent, com base em dados de pesquisa apresentada pelo Estado de São Paulo em 8 de novembro. Os dados mostram que em 2009, a Internet tende a ser o meio mais usado por empresários brasileiros.

estadao_mkt_2009_chart

No campo do e-commerce nacional, a expectativa também é de que a crise não faça com que esse mercado deixe de continuar crescendo.

Mas, de onde vem tanto otimismo para o marketing digital em relação à crise? Boa parte da resposta está no que Manuel Alonso declarou ao SEM Brasil:

O corte de investimentos em publicidade coloca para as empresas o desafio de conseguir os mesmos leads (clientes em potencial) com menos impacto, daí o empenho para que sejam de melhor qualidade e mais afinadas com seu target (cliente objetivo). É nesse sentido que a maior capacidade de segmentação da publicidade digital pode ajudar e muito.

Com menos dinheiro para investir, as empresas tendem a evitar “tiros de canhão” na mídia de massa e voltam suas atenções para ações mais direcionadas nas mídias digitais. Além do maior retorno por pessoa atingida, a grande capacidade de mensuração atrai os gerentes de marketing preocupados em saber se estão investindo sua escassa verba no lugar certo.

Saindo um pouco do mercado da publicidade e analisando o que esperar do empreendedorismo digital em 2009, me pergunto se vale a pena seguir a estratégia de cautela ao extremo e low profile de Nizan.

Como bem comentou Daniel Heise em sua apresentação no intercon 2008, aos olhos do  verdadeiro empreendedor, a crise mundial é uma oportunidade única. E a história não deixa a fala de Daniel parecer utópica demais. Há poucos anos, tivemos a crise da bolha da internet. Milhares de empresas desistiram de investir em internet e cortaram todos os gastos que puderam. Uma recém-nascida empresa de tecnologia seguiu outro caminho. Não perdeu seu foco, continuou investindo em inovação e usou a época da crise para criar valor. O nome da empresa? Google.

Mas, afinal, por que seria a crise mundial um momento de tantas oportunidades? Alguns motivos:

  • Anunciar é mais barato em época de crise. Como dito antes, na crise, a maioria das empresas corta investimentos em publicidade. Com isso, os preços caem e a possibilidade de negociação cresce. O melhor dos cenários para se construir brand awareness.
  • Seus competidores estão muito ocupados contendo despesas. Enquanto isso, você pode manter o foco em crescer e aumentar sua superioridade no mercado.
  • Se você se manter ativo na mídia enquanto seus concorrentes estão desaparecidos, será de você que os clientes irão se lembrar.

É importante estarmos cientes de que toda crise tem um fim. Mesmo que seu mercado esteja em baixa, quando ele voltar a crescer, você terá ótimos frutos a colher por ter se mantido ativo durante a crise.

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Categorias: Marketing, Mercado

4 comentários até o momento:
  1. Maria Luiza janeiro 9, 2009 at 2:33 pm

    Muito bom Rafa!
    Com certeza serei uma leitora sempre presente no seu blog…Acho que você tem muito a nos ensinar!
    Concordo plenamente com você: essa crise já era prevista e quem continuar investindo com racionalidade só tende a obter vantagens…

    Um Abraço!
    Parabéns pelo blog!

  2. Rafael Damasceno janeiro 9, 2009 at 5:32 pm

    Olá Maria Luiza!

    Quem sou eu para ensinar alguma coisa. Se eu puder contribuir com temas para se refletir já ficarei mais do que satisfeito. Espero que goste do blog!

    Abraço

  3. Filipe G. Reis janeiro 12, 2009 at 1:27 pm

    Realmente é o melhor momento pra Internet se tornar o centro das atenções como principal opção de investimentos publicitários. O 56% está ali, pra não me deixar mentir.

    O bacana disso do retorno de investimento nos anúncios na Internet, é que ao contrário de outros meios, a capacidade de segmentação que ela oferece a fim de maximizar cada centavo parece nunca ter fim. O que as vezes falta é tecnologia, softwares capazes de medir tão a fundo como anunciantes gostariam. O potencial existe e está aí pra ser explorado pelo setor de métricas, web analytics e afins.

  4. Filipe G. Reis janeiro 14, 2009 at 1:26 pm

    Esqueci de comentar, mas uma excelente fonte de estatísticas e tendências sobre o mercado mundial (sobretudo americano e ingles), é o relatório diário do http://www.emarketer.com .

    A impressão que eu tenho é que inevitavelmente as tendências de investimento e uso de ferramentas e formatos do mercado americano rapidamente se refletem no Brasil. Então, vale a pena acompanhar.

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