
No último sábado, aconteceu no hotel Ouro Minas, em Belo Horizonte, a primeira edição do iMasters Interact. O evento do grupo iMasters será itinerante e ocorrerá anualmente. O tema central deste ano foi “Criação e Planejamento Digital”. O evento foi dividido em 2 áreas. Um auditório principal, onde ocorreram palestras “clássicas”, apresentadas por Cazé Peçanha; e um espaço do hotel originalmente usado como boate, onde ocorriam apresentações mais curtas e intimistas, sob a moderação de Luli Radfaherer e Raphael Vasconcellos.
Exatamente por essa divisão e pelo fato de as apresentações ocorrerem de forma simultânea, só comentarei sobre as palestras nas quais estive presente. De qualquer forma, a organização prometeu disponibilizar em breve todo o evento gratuitamente no Videolog.
Na abertura do evento, acompanhei o palco principal, onde Ana Erthal abordou o tema “A experiência sensorial e o futuro da tatilidade”. Foi uma interessante viagem pela história da tatilidade, desde milhares de anos antes de cristo até os dias atuais. Mas, infelizmente, a palestra parece não ter agradado a maioria do público. Reação que talvez se justifique pela falta de dinâmica da apresentadora em alguns momentos e pelo excesso de longas citações de autores como Marshall Mcluhan.
Em seguida, fui para a boate acompanhar a parte final da apresentação de Raphael Vasconcellos, da AgênciaClick. A apresentação até me surpreendeu positivamente já que a última vez em que o assisti, no Intercon 2007, não vi nada mais do que um grande jabá do trabalho da Click. Desta vez, Raphael fez uma palestra altamente pessoal, questionando o glamour do mundo da publicidade e levando a platéia a pensar sobre seus objetivos pessoais e profissionais.
Voltando para o auditório, acompanhei a melhor apresentação do evento: a de Fabiano Coura, da Neogama/BBH. A apresentação foi um excelente equilíbrio entre teoria e exemplos práticos de criação digital. Fabiano mostrou com dados objetivos que a criatividade traz grandes resultados na internet. Com uma apresentação dinâmica e cases recentes, Fabiano prendeu a atenção do público por 1 hora e foi escolha quase unânime de melhor palestra de acordo com as pessoas com quem conversei.

Foto de Giovanni Monteiro
Ainda no auditório, acompanhei Michel Lent fechar a manhã do evento falando de “Criação estratégica e comunicação na web”. Lent parece não ter empolgado a todo mundo. Muito pelo motivo da palestra ter uma dosagem enorme de jabá da Ogilvy/10 minutos. Mas, pessoalmente, considerei a sua apresentação uma das mais essenciais do evento. Simplesmente porque Lent lembrou em vários momentos que criação precisa ser orientada a resultado. Muitas vezes, eventos voltados para profissionais de criação acabam se tornando uma espécie de “orgia criativa”, onde ninguém lembra que quem está pagando por tudo é o cliente. Confesso que quase fiquei emocionando com Lent apresentando Key Performance Indicators (KPIs) para dezenas de criativos mineiros na platéia.
Após o intervalo de almoço, acompanhei Suzana Apelbaum no auditório com o tema “Inovação na Criação Digital”. Essa para mim foi a palestra mais fraca do evento. A maior parte da apresentação foi de cases consideravelmente batidos de comunicação digital como Nike Plus e (acreditem!) Heroes. Sai durante a palestra e ainda acompanhei o final da apresentação de Alexandre Bessa sobre “Administração de Criativos”. O que vi foi muito parecido com o que Bessa já havia falado no Intercon 2008.
Depois de um tempo visitando os stands do evento, voltei para boate (e não saí mais) para acompanhar Emerson Calegaretti, do Myspace, falar sobre tendências em redes sociais. O mais interessante dessa apresentação acabou sendo uma discussão entre Emerson e Michel Lent, onde os dois tinham seu razão. Cada um defendendo seu peixe. Lent defendia a importância de hotsites e Emerson dizia que hotsites não eram nada sem divulgação.
Na apresentação em sequência, Caio César tentou mostrar ao público que sites com boa usabilidade e com foco no usuário não precisam ser feios. Infelizmente, não houve tempo para terminar a apresentação e, quando ia começar a dar exemplos, Caio foi (com certa indelicadeza) interrompido por ter estourado seus 30 minutos de apresentação. O que ele não conseguiu terminar de dizer já está disponível em seu blog.
Em seguida, Viviane Vilela, do SEBRAE fez uma excelente apresentação sobre empreendedorismo. Em vez de falar das flores de se ter seu próprio negócio, como na maioria das palestras sobre o tema, Viviane mostrou todas as dificuldades e responsabilidades que precisam ser levadas em conta, antes de se decidir abrir uma empresa. Mais um conteúdo muito importante no evento. Deu uma dose de realidade na “orgia criativa”.
Finalizando o evento, Luli Radfahrer adotando o estilo auto ajuda, mostrou que ainda é o dono do título de “showman” da Internet brasileira. Com uma apresentação subjetiva, Luli buscou levar as pessoas a repensarem o rumo de suas carreiras. Pelo que vi, funcionou com muita gente.
No último evento do iMasters, o Intercon 2008, fui e não gostei do que vi. Em um evento sobre inovação, a organização havia caído no erro de “inovar por inovar”, trazendo um monte de ditas novidades revolucionárias que acabaram por prejudicar o conteúdo do evento, que é o que realmente interessa.
Mas, agora com o InterACT, sinto que o iMasters está voltando para o rumo certo. O conteúdo das apresentações foi em média bem legal e as inovações do evento funcionaram bem (com exceção das perguntas via Gengibre, que ninguém conseguia entender). Acho que o evento fez o que pregou. Busca pela inovação, mas com o pé no chão. As novidades criadas deixaram de ser meras perfumarias e agregaram valor de verdade ao evento. Legal ver o iMasters aprendendo com os erros.
Mas, por último, não posso deixar de destacar que eu, como integrante do mercado mineiro, fico um pouco envergonhado com o fato de que para termos um evento de Internet de grande porte, pessoas de outros estados precisam vir para cá e mostrar como se faz.
Interminas e InterACT esgotaram suas entradas semanas antes de ocorrerem. Então, a desculpa de que “não há público” não cola mais. Vamos nos mexer, pessoal!
Categorias: Mercado
Nessa terça-feira ocorreu o Google Searchology 2009, evento no qual o Google apresenta ao mundo novidades que estão sendo desenvolvidas na empresa para o mundo das buscas.
Segundo Udi Manber, primeiro engenheiro do Google a se apresentar, no século XX os nossos esforços foram para entender a natureza. Mas, no século XXI, vamos lutar para entender a nós mesmos. Uma clara referência à sempre comentada Web 3.0, ou Web Semântica. E é exatamente com o objetivo de ajudar os sistemas de busca a entenderem melhor as pessoas que surgiram a maioria dos produtos apresentados pelo Google ontem.
Foram divulgadas muitas melhorais no evento mas, nesse post, vamos tratar das 3 principais novidades:

Este é um dos recursos apresentados que já estão disponíveis no Google.com. Como teste, fiz uma busca por Oasis. No canto esquerdo da tela, pode-se ver uma nova coluna oferecendo diversas opções aos usuários. As primeiras opções são filtros de tipo (Vídeos, fórums ou resenhas) e de tempo. Também são oferecidas agumas formas diferentes de visualização dos resultados. Entre os últimos recursos, o que tem recebido maior destaque é a Wonder Wheel. Nesta ferramenta, o Google sugere termos relacionados ao originalmente buscado. Ao clicar em um dos termos sugeridos, a Wonder Wheel sugere mais resultados semelhantes e assim por diante.

Meus 2 centavos: Achei muito interessante e útil a opção de filtro por data de publicação do resultado. Nesse recurso (e em vários outros apresentados no Searchology) vemos que o Google está mesmo se esforçando para ser um pouco mais Twitter, com conteúdo fresquinho de fácil acesso para seus usuários.
A idéia desse recurso é boa e, se um dia se tornar altamente eficiente, vai mudar algumas coisas no mundo do SEO. No Squared, os dados encontrados com base na busca do usuário são organizados em planilhas. Na demonstração feita no evento, uma busca por “cães pequenos” trouxe uma planilha onde cada linha apresentava uma raça de cachorro e as colunas mostravam informações como peso e tamanho. Veja outra demonstração feita pelo site TechCrunch:
Meus 2 centavos: Essa ferrmaneta já começa a “brincar mais sério” com semântica. Mas, como qualquer coisa nessa área, ainda está em um estágio inicial. A própria Marissa Mayer, do Google, admitiu que o Squared ainda tem um longo caminho a percorrer na estrada da semântica para trazer resultados mais precisos. Mas, de qualquer forma, é uma ferramenta para se ficar de olho desde já.
O Google (finalmente) passará a interpretar os padrões de código RDF e Microformats. Para quem não sabe, esses são padrões criados para organizar e tornar compreensíveis alguns tipos de conteúdos como calendários, resenhas e muitos outros. O Google passará a mostrar snippets “especiais” para sites que disponibilizam informações nesses formatos. A imagem abaixo mostra como funciona o snippet para sites que usam o padrão hReview dos Microformats.
Meus 2 centavos: Desde a primeira vez que ouvi falar em “busca semântica” sempre achei que fosse essencial uma aproximação dos sistemas de busca com iniciativas como a dos Microformats. Demorou mais do que deveria. Mas, daqui para frente, imagino que essa integração deverá crescer muito, com novos recursos dos buscadores baseados em mais padrões além dos 2 suportados atualmente.
Categorias: Search Marketing

Depois de mais de um mês sem poder atualizar o blog (mas, por bons motivos: trabalhos e novas oportunidades borbulhando), espero, a partir desse post, voltar a ter uma regularidade boa no ritmo de atualizações aqui, no Marketing Contextual.
Já falei da forte ligação do Search Marketing com diversas outras áreas do mercado de Internet e como Search pode ajudar um site em boa parte dessas áreas. Hoje vou falar um pouco da crescente multidisciplinaridade do marketing de busca e das oportunidades de trabalho que devem surgir com esse movimento.

Relembrando o que já foi dito aqui, Search Marketing é um jogo onde fórmulas mágicas praticamente não funcionam mais. A tendência clara dos sistemas de busca é o uso crescente de informações “sociais”. Tanto em SEO quanto em links patrocinados, o desempenho do seu site vai depender da experiência que você proporciona às pessoas. Se a experiência é boa, as pessoas vão ficar mais tempo no seu site, vão retornar a ele várias vezes, vão adicionar sua URL em suas ferramentas de Social Bookmarking, vão falar bem de você em blogs, listas de discussão e fóruns. São essas informações “sociais” sobre a sua marca que serão usadas pelos buscadores para definir o quão relevante você é.
Pois bem. A verdade é que, hoje em dia, a esmagadora maioria das equipes de Search Marketing no mundo (sejam agências ou houses) não está preparada para trabalhar nesse cenário. Nas estruturas operacionais mais comuns de hoje, temos programadores ocupando quase todas as vagas de SEO do mercado e uma grande parte das vagas de links patrocinados. Esse tipo de estrutura é uma das heranças da época das fórmulas mágicas, onde Search era um negócio estritamente técnico.
Com o novo cenário que começa a surgir, as áreas com as quais as equipes de Search precisam se preocupar são muito mais vastas e, consequentemente, exigem uma gama de profissionais muito mais diversificada. Acredito que veremos em breve uma onda de novos cargos relacionados a Search Marketing. Seguem abaixo alguns exemplos desses cargos e porque eles surgirão.
Já se foi a época em que links patrocinados eram 3 linhas de texto e nada mais. Google e Yahoo já estão investindo em mídia gráfica para marketing contextual há muito tempo. As opções na área estão em constante aperfeiçoamento e começam a se tornar um importante componente nas campanhas de Search. Por mais que algumas ferramentas disponibilizem várias templates para anunciantes, o trabalho de um profissional de webdesign em mídia gráfica é (e continuará sendo) um grande diferencial.
As grandes agências e equipes de Search Marketing trabalham em cima de retorno sobre o investimento. Se os eforços na área não trazem o retorno esperado, normalmente quem leva a culpa são os responsáveis pelas campanhas.
Entretanto, os motivos por uma campanha não ter o retorno esperado podem ser de uma diversidade imensa. É comum um site ter uma campanha de SEO/ Links Patrocinados muito boa trazendo público qualificado. Entretanto, o site que banca campanha pode ser muito confuso, de navegação mal feita, com ferramentas que não funcionam… Enfim, existem múltiplos fatores ligados à experiência do usuário que podem interferir na conversão de visitantes vindos de sistemas de busca.
Com a concorrência e exigência de clientes crescendo no mercado de Search, agências se vêem muitas vezes obrigados a interferir nos sites de alguns de seus clientes para conseguir melhorar a taxa de conversão de campanhas. Mudanças na navegação, organização de informações em páginas específicas e melhorias na estrutura interna de links são algumas das mudanças mais comuns. Ao menos inicialmente, a maior parte desses trabalhos não costumam fazer parte do pacote de serviços acertado para ser prestado para clientes. Mas a tendência é que eles tornem cada vez mais rotineiros na dia a dia de equipes de Search. Com isso, colaboradores com uma especialização maior na área serão exigência natural do mercado.
Não é novidade que, em meio à crise econômica, nunca foi tão importante medir. Apesar de não serem maioria, algumas equipes de Search Marketing (normalmente as maiores) já possuem profissionais específicos para o trabalho de Web Analytics. O que é normal já que é impossível trabalhar com Search Marketing profissionalmente sem ter um bom entendimento do retorno conseguido.
De qualquer forma, com o amadurecimento do mercado, vai ficar raro encontrarmos equipes sérias sem profissionais de web analytics. Além disso, com a já citada necessidade crescente de se entender como melhorar a taxa de conversão de usuários, a demanda por Web Analytics cresce junto. Não basta mais monitorar rankings ou CPCs isoladamente. Funis de conversão, taxas de rejeição e diversas outras métricas exigem análise cuidadosa em trabalhos de alto nível.
Em Links Patrocinados, a quantidade de anúncios exibidos por página e a quantidade de termos com alta concorrência aumentam constantemente. Com isso, há grande necessidade de textos inteligentes, persuasivos e criativos. Posso dizer isso com alguma propriedade, pois, trabalho com duas excelentes redatoras publicitárias que muito ajudam a conseguirmos anúncios que saem um pouco do “padrão varejão” dos links patrocinados e trazem ótimos resultados.
Em SEO, a persuasão do texto também começa no sistema de busca. Mudanças nas meta tags <title> e <description> são cada vez menos importantes para fatores de rankeamento e cada vez mais importantes para atrair o interesse do usuário.
E, claro, existem as landing pages, onde as primeiras palavras são essenciais para manter o usuário em seu site. Em seguida, é preciso encaminhá-lo para executar a ação desejada e transformá-lo em uma conversão.
É raro vermos equipes com profissionais especializados cuidando da parte textual de campanhas de Search. Entretanto, é mais um cargo que deverá se popularizar com a profissionalização do mercado.
Uma conclusão de certa forma óbvia. E também uma reação previsível para quem acompanha com atenção o mundo do Search Marketing. Reforçando o que já foi dito aqui, Search Marketing é um processo multidisciplinar e essa multidisciplinaridade só tende a aumentar. Para acompanhar essa tendência, as equipes de Search precisam aumentar a diversidade de suas equipes. Veremos daqui para a frente uma queda considerável na proporção de profissionais da área que são originalmente programadores. Aposto meus melhores CTRs nisso.
Categorias: Links patrocinados, Marketing, Search Marketing