Arquivo de outubro, 2009

20097/10

Conversão por Exibição – A nova métrica do Adwords

por Rafael Damasceno

Neste dia 1 de outubro o Google anunciou no blog oficial do Adwords o lançamento de um novo recurso chamado “conversão por exibição”. Segundo o próprio Google, essa novidade é para permitir uma análise mais precisa de campanhas de Adwords que utilizam mídia gráfica na rede de conteúdo do Google.

A conversão por exibição permite que você saiba quantos usuários que viram o seu banner, não clicaram nele mas, até 30 dias depois, realizaram a conversão configurada para a sua campanha (seja essa conversão uma venda, um preenchimento de formulário, assinatura de newsletter, etc).

Mas tem mais do que isso por trás desse e de outros recursos implementados recentemente no Adwords. Esse post é exatamente para tentar entender o que o Google vem tentando mudar na sua principal fonte de renda, os links patrocinados.

Tudo pela Rede de Conteúdo

Se há um aspecto do Adwords que evoluiu muito nos últimos tempos, esse foi a rede de conteúdo. As ferramentas e novos recursos são incontáveis. Criador de anúncios gráficos, anúncios em vídeo, segmentações mais precisas…
É importante lembrar também da abertura de grandes sites pertencentes ao Google para links patrocinados (vide Youtube e Orkut). Com isso, o potencial de alcance da rede de conteúdo cresceu consideravelmente. Segundo informações do Google, a regra adotada nas campanhas gerenciadas internamente para calcular o potencial de entrega no comparativo rede de conteúdo/rede de pesquisa é 80/20.

Até aí tudo ótimo para a rede de conteúdo. A questão é que esse potencial de entrega ainda não é totalmente utilizado pelos anunciantes. Mesmo com menor alcance de usuários, a rede pesquisa continua sendo a responsável pela maior parte da renda do Google em links patrocinados.
Como essa “subutilização” nada interessa ao Google, as cabeças centrais de Mountain View precisavam de argumentos que convencessem anunciantes de todo o mundo a investir na rede de conteúdo. E foi aí que começaram a surgir tantas ferramentas e possibilidades.

Os prós e contras da conversão por exibição

O recurso de conversão por exibição veio para ajudar na mensuração de resultados em campanhas de mídias gráficas, que definitivamente tem suas peculiaridades. Enquanto na rede de pesquisa o sucesso de um anúncio está intimamente ligado à sua taxa de cliques, na mídia gráfica não precisa ser necessariamente assim.

Já estamos cansados de saber que “o banner não morreu”, ele apenas está se transformando. Hoje em dia, não são mais todas as peças gráficas que querem um clique do usuário. Um exemplo clássico de peça que não foi feita para ser clicada, apenas para ser vista, é o relógio do Itaú, há anos na home do portal UOL.

Relógio do Itaú na home do UOL

Nenhum “clique aqui”, nenhum “conheça”. Nada. Apenas um relógio patrocinado, que cumpre muito bem sua função de prestar um serviço associado à marca Itaú.

Para peças como essa, que não requerem um clique, a conversão por exibição pode ser bastante útil. Usuários que geraram uma conversão por terem sido impactados por uma mídia gráfica que não foi clicada eram impossíveis de serem medidos no Adwords. Agora esse problema não existe mais.

Mas obviamente existe um efeito colateral óbvio: quem garante que o usuário que contou como “conversão por exibição” realmente viu meu banner? Todos nós acessamos diariamente várias páginas com anúncios que não damos nem 1 segundo de atenção. Quem trabalha com design centrado no usuário conhece esse comportamento em detalhes. Uma situação hipotética: eu posso ter lido uma notícia de um site que, bem no final da página (que eu nem cheguei a ir), tinha um banner de links patrocinados da loja “Camisetas X”. Se 20 dias depois eu coincidentemente descubro a loja “Camisetas X” e faço uma compra, essa minha compra será considerada uma conversão gerada por aquele banner que eu nem cheguei a ver. Quanto maior for uma campanha, maior a probabilidade desse tipo de “coincidência” acontecer.

Obviamente, esse efeito colateral não traz prejuízo nenhum para o Google. Afinal, quanto mais conversões o Adwords gerar, mais o anunciante vai investir. Mas em defesa da ferramenta o Google tem o ponto positivo que citei acima e também dados de pesquisas apontando que uma parte considerável de usuários são expostos a mídias gráficas, não clicam, mas mantém a informação da peça em suas mentes, eventualmente gerando uma conversão tempos depois. Como comenta o Adage sobre um estudo da Comscore:

From client studies, ComScore found that display ads, regardless of clicks, generate significant lift in brand-site visitation, trademark search (searching for, say, Toyota or Prius) and both online and offline sales among those exposed to the ads. Within one week, consumers exposed to a display ad were 65% more likely to visit the advertiser’s site than users who never saw the ad. Even at four weeks, people exposed to displays ads are 45% more likely to visit the brand’s site.

Enfim. O que anunciantes precisam tirar dessa história toda é que a métrica de conversão por exibição é sim útil e ajuda muito a entender os resultados conseguidos com uma campanha. Mas é um dado que precisa ser usada com parcimônia, pois sua precisão não é tão grande quanto, por exemplo, os dados de conversão “clássicos” do Adwords.


Categorias: Links patrocinados

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