Virada de ano é sempre tempo de previsões. Aqui no blog, não fugiremos da tradição e vamos tentar adivinhar os rumos que o mercado de Search vai tomar em 2011. Mas vamos fazer isso de um jeito diferente.
Nos últimos dias, conversei com algumas das grandes figuras do Search nacional para saber o que cada um deles esperava para 2011. Este post tenta condensar a opinião de cada pessoa com quem conversei, juntar aos meus palpites e transformar tudo em uma visão única e abrangente sobre o que nos aguarda no ano que está começando.
Obviamente, ainda não existe ninguém com o poder sobrenatural de enxergar o futuro. As “previsões” que você verá aqui são baseadas em sinais percebidos por cada pessoa no dia a dia de trabalho. São tendências que podem tanto se tornar realidade, como não passar de uma grande furada. Mas essa é a graça da coisa. Então vamos lá.
Essa é fácil de acertar. Depois de um crescimento muito forte nos últimos anos, parece que o Marketing de Busca finalmente estabeleceu uma base forte aqui no Brasil. E a expectativa de muitos profissionais é de que 2011 seja o ano em que esse mercado seja encarado com a mesma seriedade de qualquer área tradicional do marketing.
Para o colega Rafael Rez Oliveira, da Lógica Digital “as empresas (das maiores às menores) passaram a entender que seus negócios passam pelo papel, pelo telefone, pelo velho fax e agora também pela internet”. Fábio Ricotta, da Mestre SEO, acredita que o a época das empresas descobrirem o potencial e as possibilidades nos sites de busca passou. Já estamos em um momento de investimento real em Search.
A lenda Alexandre Kavinski, o CEO da I-Cherry, apresentou algumas previsões que dão ideia do nível de seriedade com que Search passará a ser tratado no Brasil. Para ele, assim como vamos ver a demanda aumentando, como acontece na maioria dos mercados, também veremos a oferta do serviço de Search crescendo da seguinte forma:
Mas ao mesmo tempo em que teremos estrangeiros chegando, Kavinski também acredita que o SEO Global (trabalho com marcas multinacionais) será um grande filão para as empresas brasileiras. E, mais do que isso, 2011 será para o Brasil um ano de preparação para que, em 2012, entre de maneira mais influente no cenário mundial de SEO.
Essa quase ninguém deixou passar. Se em 2010 nós vimos as buscas locais se tornarem muito mais importantes do que eram (ou por acaso seus resultados de busca no começo do ano passado já vinham assim?), a tendência é que em 2011 esse crescimento continue.
Jason Hall, consultor ex-Shopzilla, acredita que o mercado de buscas locais será tema de uma dura batalha entre grandes sites. Google, Facebook e sites mais especializados como Tripadvisor. Enfim. Todos querem dominar essa área crescente. Então esperem por grandes inovações neste aspecto. Do meu ponto de vista, terá uma grande vantagem competitiva o primeiro player que conseguir tratar bem o problema chamado SPAM. Infelizmente, considerando o Google como exemplo, ainda podemos perceber um algoritmo relativamente primitivo, onde é fácil conseguir grande visibilidade com técnicas básicas de spam, o que desencoraja muitos usuários de darem mais valor a resultados locais.
De qualquer forma, Rafael Oliveira e Alexandre e Kavinski compartilham da visão de que Local Search se tornará cada vez mais comum e importante. Alberto André, da Seleto, acredita que a solução para tratar melhor o spam e exibir resultados locais mais relevantes, passará pela incorporação de fatores sociais ao algoritmo de classificação. E por falar em social…
Essa tendência é irreversível. Já falei aqui sobre a crescente integração entre Search e Mídias Sociais. E parece ser um consenso entre os profissionais com quem conversei.
Rafael Oliveira acredita que os tão falados “sinais sociais” serão incorporados aos algoritmos de busca, se tornando fatores mais importantes do que muitos já tradicionais.
E nesse assunto de mudanças no algoritmo, a expectativa de Alexandre Kavinski é de que muitas fortes estão por vir. Entre elas, desvalorização constante das palavras nas URLs e subdomínios. Ele também acredita que sistemas de busca farão uma separação maior entre buscas comerciais e não-comerciais, forçando e-commerces a investir em conteúdo para conseguir boa visibilidade. Por fim, ele concorda com uma consideração de Rand Fishkin, que imagina que em 2011 sistemas de busca admitirão oficialmente que consideram dados como CTR e volumes de visita em seus algoritmos orgânicos.
Já se foi o tempo em que o trabalho do profissional de Search se resumia a SEO e links patrocinados no Google. Hoje, boa parte das campanhas de Search são acompanhadas por investimentos em mídia display, nos grandes canais de segmentação contextual, com a Rede de Display do Google.
E para 2011 prepare-se para ouvir falar muito em Display. Filipe Reis, da Plan B, acredita que veremos um crescimento “fora da curva” nesse mercado. Tudo isso com base na adesão cada vez maior dos anunciantes a essa modalidade da publicidade e da forte disputa pelos chamados espaços Premium, como diárias de Masthead no Youtube, Logout e faixas horárias no Orkut.
E como vai ficar o mercado de Search, em termos práticos, para o número cada vez maior de profissionais (e futuros profissionais) da área? Melhora, piora ou não muda nada?
Como acabamos de ver, 2011 tende a ser o ano da maturidade no Search brasileiro. Com isso, pode-se esperar que:
Esse post jamais existiria sem a imensa gentileza e consideração de todos os profissionais com quem conversei. Então, acima de tudo, muito obrigado a todos vocês. Espero que esse conteúdo seja de grande ajuda para o mercado do qual todos nós fazemos parte.
Convidei antes do post, via twitter, a todos que quisessem colaborar. Mas se você não viu ou não teve tempo de enviar suas opiniões sobre 2011, por favor, use os comentários.
Por fim, seria impossível para um simples mortal como eu condensar em um único texto todo o conteúdo passado pelos grandes profissionais com quem conversei. E como muitos deles me enviaram suas considerações por e-mail, vou disponibilizar, logo abaixo, a íntegra de todos esses e-mails. Recomendo demais a leitura. Valor inestimável.
Regionalização fará toda a diferença em 2011, os resultados de busca se tornarão mais e mais regionalizados. Com isso se tornará cada vez mais necessário produzir conteúdos regionalizados e mirar outros formatos de resultados de busca.
Eu espero grandes mudanças nos algoritmos dos buscadores, especialmente do Google, minha aposta é que vão começar a segmentar melhor o que é resultado com fim comercial e o que é conteúdo, portanto sites de varejo e afins terão que investir mais em conteúdo relevante se quiserem prevalecer. Acredito também numa relevância cada vez menor para texto das URLs e subdomínio.
Embora não seja grande fã do SEOMoz, corroboro com a previsão numero 1 deles, tbm acho que vai acontecer.
No Brasil vamos começar a dar muito mais atenção para os resultados do Bing, que deve investir pesado no país em 2011.
Os SEOs brasileiros vão finalmente perceber que as ferramentas estrangeiras de análise de links e afins não funcionam tão bem quanto parece para o Brasil. O que será muito positivo ja que as ferramentas precisarão evoluir mais no que diz respeito aos resultados locais para crescer.
Global SEO (que cuida de ações para sites e marcas com presença em diversos países) vai se tornar um grande filão de SEO e isso vai gerar muitas oportunidades para SEOs brasileiros ajudando a profissionalizar ainda mais o mercado.
Grandes agências tradicionais vão desenvolver áreas próprias de SEO e isso vai ser bom, pq vai ajudar a fomentar o mercado consumidor (cliente) e tornar SEO um item essencial de qualquer projeto web. Este processo também vai levar a novas aquisições de agências de search no Brasil (essa é fácil de acertar).
Veremos a migração de alguns profissionais estrangeiros para o mercado brasileiro em três frentes: abrindo empresas próprias de SEO no Brasil, vindo para oportunidades para trabalhar diretamente no cliente, vindo para desenvolver a área de SEO de agências tradicionais.
Será um grande ano para SEO no Brasil, veremos novos profissionais despontando no mercado e teremos um amadurecimento ainda maior que o de 2010, que ja foi fantástico. Acredito que isto será a base para em 2012 o Brasil entrar de maneira mais influente no cenário de SEO global.
O mercado de Search em 2010 foi palco de grandes mudanças, Google Caffeine, Google Instant, Real Time, Mayday Update, Mudança da Exibição do Local Search, Influências das Redes Sociais nos resultados e etc. Acredito que em 2011 teremos muitas outras e algumas com impacto maior do que as que ocorreram em 2010.
Eu aposto minhas fichas em um grande crescimento da Geolocalização unido ao Social. Acredito que o Google possa vir a usar os dados de aplicativos de Geolocalização como Foursquare e Gowalla unidos aos dados compartilhados nas redes sociais sobre esses locais. Assim, esses locais passariam a ser mais valorizados pelo Google e passariam a ter um peso maior no rankeamento. Para a inclusão desses fatores poderiam ser considerados dados como comentários e/ou resenhas nas Places Pages.
Além disso, acredito muito no crescimento do mobile unido a isso tudo. Vejo uma grande oportunidade a frente para poder exibir anúncios somente para uma pequena localidade em mobile. Seria uma segmentação por local mais avançada e assim atingiria um público muito mais direto e com mais chance de sucesso.
Creio que 2011 será o ano do aperfeiçoamento da área de search no Brasil. O que vi muito em 2010 e até mesmo no ano de 2009 foi um momento de conhecimento da área, de testes, de descobertas de como as ferramentas podem ser utilizadas no marketing digital da empresa.
Entendo que 2011 será o ano para as empresas notarem mais que os mecanismos de busca direcionam diversos visitantes que CONVERTEM (isso mesmo, em letras maiúsculas) e podem obter ainda mais visitantes realizando trabalhos básicos ou pelo menos ajustando os problemas que o website possui.
Por fim, entendo que as empresas precisarão dosar os esforços em mecanismos de busca (busca orgânica e links patrocinados); em mídias sociais, para entender melhor o que o seu usuário quer; e por fim, gerenciar bem o próprio website e olhar os usuários que já gostam da sua marca.
Vou quebrar o protocolo e não falar de Search, mas de um ‘mercado irmão’ que como sempre anda junto e compartilha conversões com PPC, vale o registro. Particularmente o movimento que eu vejo é que enquanto alguns mercados digitais como de games, aplicações sociais e o próprio search devem manter seu crescimento consistente já observado em anos anteriores, o tradicional mercado de Display (os famosos banners) dá sinais de crescimento fora da curva para 2011. Quando um grande player como o Google lança uma campanha massiva para divulgar suas possibilidades específicas dessa modalidade de publicidade, é de se prever uma movimentação e adesão natural do mercado. E de cara eles avisam no mote da campanha: “O mercado de Display é grande. Ele será enorme”.
Se conseguirem com Display cifras semelhantes ao que conseguiu com Search em relativo tão pouco tempo, teremos um Google cada vez mais forte. Do ponto de vista técnico e de mídia, toda essa movimentação soa com um tom positivo uma vez que mais opções e inovações surgirão, trazendo novas possibilidades de conversões. Em contra-partida, como já acontece com links patrocinados, podemos ficar a mercê de apenas um grande player, com um monopólio visto poucas vezes em grandes mercados.
Ao que tudo indica e vendo o grande volume de espaços display ‘Premium’ vendidos pelo Google nos últimos tempos (diárias de Masthead no Youtube, Logout e faixas horárias no Orkut) além da crescente adesão da antiga Rede de Conteúdo (hoje Rede de Display) pelo anunciantes do AdWords, o crescimento da empresa no Brasil deve passar dos 3 dígitos em 2011 (foi de 85% em 2010 em relação ao ano anterior). Como gosto de falar, não vai ser agora que os odiadores do velho banner vão se ver livres da sua presença. É acompanhar pra ver.
2011 eu acho que é o último ano da consolidação e do social search:
Em 2009 e 2010 o mercado todo entendeu que a internet não é mais promessa, que ela é realidade faz algum tempo. A mídia passou a tratar a internet como uma mídia de igual para igual, não mais como um antro de aficionados por computadores. As empresas (das maiores às menores) passaram a entender que seus negócios passam pelo papel, pelo telefone, pelo velho fax e agora também pela internet. Com isso a competição continuará a crescer exponencialmente e os 10 resultados nas SERP’s ficarão cada dia mais difíceis de conquistar.
O Google tem mostrado uma tendência forte em privilegiar resultados cada vez mais diversos com: múltiplos resultados por domínio, integração com o Local Search e resultados de Mídias Sociais com muita força nos resultados. Em 2011 a Mídia Social como um todo vai começar a se sobrepor aos resultados de busca tradicionais, fazendo que os sinais sociais sejam cada vez mais relevantes. Veremos mais força sendo transmitida por usuários fortes em Mídias Sociais (usuários com muitos views, muitos seguidores, muitos comentários, muitos links, Authority maior) e os círculos sociais serão muito explorados pelos buscadores. A questão do link ser follow ou nofollow será superada pela questão do buzz, quanto mais buzz um assunto gerar, mais força terá nos resultados. Sinto que a conversação terá cada vez mais força nas SERP’s!
Categorias: Mercado, Search Marketing

E foi neste fim de semana que aconteceu o SEM Dúvida, o curso de Search Marketing que ministrei ao lado de Alberto André, Filipe Reis e André Carneiro.
Foi a primeira vez que participei da organização de um evento. E por pouco não foi a última. A quantidade de coisas para se definir, a imensidão de coisas que podem dar errado e as toneladas de imprevistos tiram o sono de qualquer pessoa. Pelo menos tive a sorte de dividir essa responsabilidade com uma pessoa muito dedicada e experiente no quesito eventos: Alberto André. Mas mesmo assim, o trabalho é imenso e estressante. Se você nunca fez um evento, não tem como você imaginar. Depois do SEM Dúvida, que foi um evento relativamente pequeno, eu respeito a ainda mais o esforço de pessoas como Thiago Bacchin, Renata Tibiriça, Ana Martins, Tiago Luz, Miguel Dorneles e outros que já organizaram grandes e bem sucedidos eventos de Search.
Mas eu disse que essa quase foi a última vez que organizei um evento. Isso porque, apesar do trabalho, no final das contas, tudo valeu a pena. Este post é um breve resumo das coisas bacanas que aconteceram nessa experiência de organizar o SEM Dúvida, o que rolou no curso e o que vem pela frente (e alguns agradecimentos mais do que necessários).
Lembrando que os motivos e acontecimentos que levaram ao surgimento do evento já foram relatados neste blog.
Desde o início, queríamos criar um curso focado apenas no mercado de Belo Horizonte e para poucas pessoas (poucas MESMO), já que a ideia era de uma turma reduzida que facilitasse o bate-papo com os alunos e o bom aprendizado de todos. Achamos que um evento muito grande não proporcionaria isso e também nem acreditávamos que haveria muita demanda no mercado de Belo Horizonte.
Por tudo isso, não planejamos nenhuma divulgação exemplar. Basicamente, apenas criamos o site e fizemos tweets. Mas graças a vocês, pessoas que lêem o blog, que interagem comigo e com os outros professores no Twitter e em outras redes, tivemos uma divulgação incrível. Em dois dias, todo mundo que eu encontrava na rua já comentava comigo sobre o curso. Em uma semana, já tínhamos mais inscritos do que estávamos imaginando para o curso. Em um mês, lotamos o espaço disponibilizado.
Esse apoio da comunidade foi fantástico e eu só posso agradecer e me comprometer a sempre fazer o que estiver ao meu alcance para termos um mercado melhor para todos nós.
Ninguém faz um bom evento sozinho. É essencial ter um bom parceiro para viabilizar a maioria das coisas. E no SEM Dúvida tivemos muita sorte com os parceiros que apareceram.
O primeiro foi o Uni-BH, com o qual fizemos um acordo muito interessante para utilizar a sala Premium da universidade no Estoril. Era toda a infra-estrutura que precisávamos. Mas não bastasse isso, o Uni foi um parceiro fantástico, sempre nos ajudando na divulgação e a resolver os pepinos que apareciam. Muito obrigado pelo apoio Luciana, Grazi e Vera!
E não parou por aí. Para nossa felicidade, o Fábio Ricotta da Mestre SEO nos ofereceu apoio com a divulgação e com 1 mês de assinatura grátis no site da sua empresa para todos os alunos do curso. Claro que aceitamos na hora. E ficamos muito felizes de comprovar que a Mestre SEO confia no nosso trabalho e está realmente interessada na evolução do mercado de Search. Isso porque, para quem não sabe, a Mestre SEO tem um curso (muito bem sucedido) de SEO. Eles poderiam ter nos tratado como concorrentes. Mas ao invés disso, nos apoiaram. Muito obrigado Fábio!
E por último, um parceiro que a gente jamais imaginou que conseguiria quando tivemos a ideia do curso: SEOmoz. Uma das empresas mais famosas e respeitadas de Search no mundo associou a sua marca ao nosso curso e ainda ofereceu descontos e assinaturas de 1 ano gratuitas a alunos do curso. Sem palavras. Thank you so much Gillian!
E durante o curso também tivemos pessoas que foram essenciais para que as coisas se mantivessem no trilho. Paulo Henrique e Raffcatalan arrasaram nos vídeos e fotos (em breve disponibilizados). Adir ajudou em simplesmente tudo que foi preciso. E claro, a Priscila Cunha, que além de apoiar a ideia do curso desde o início, fez uma cobertura impecável no Twitter do evento. Valeu galera!
Desde o momento em que eu vi que tínhamos Alberto André, Filipe Reis e André Carneiro dando aula no curso, eu sabia que por pior que eu fosse, o curso seria bacana porque eles iriam jogar a média lá em cima. ![]()
Mas vou ser sincero: nem eu esperava um trabalho tão fantástico desses caras.
Foi bacana demais ver o Alberto André, um cara que eu conheci ano passado, ainda começando no mundo do Search, estrear como palestrante. Suas aulas foram excelentes. Tem gente com a cabeça “explodida” com o módulo de Local Search até agora. Não vejo a hora de vê-lo abordando esse assunto no Uai SEO.
André Carneiro é um cara de quem eu nunca tinha ouvido nada que não fosse elogio. Não podia deixar de chamá-lo. E desde o momento do convite ele foi um cara 110% prestativo e interessado no evento. Ajudou em todos os aspectos. E nas aulas ele mostrou porque tem uma reputação tão bacana. Eu afirmo sem sombra de dúvidas que sua apresentação de “Como Vender SEO” não ficou devendo em nada à já histórica apresentação com mesmo tema feita pela lenda Alexandre Kavinski em 2009 no SEOcamp.
E, por último, o Filipe Reis. Meu amigo pessoal desde as primeiras semanas de faculdade, começamos com Links Patrocinados quase juntos. Em nenhum momento imaginei esse curso sem a presença dele. Ele definitivamente não é dos caras mais pacientes com palestras, eventos e redes sociais. Mas o esforço para fazê-lo participar valeu demais. Acho que todo mundo que esteve lá viu porque eu considero ele um dos melhores profissionais de mídia do Brasil. Arrasou em tudo que ele apresentou. E me pergunto se alguém do país saberia falar melhor sobre Rede de Display do ele falou no curso.
Não tínhamos a menor ideia de como a turma iria se comportar. Vimos que o perfil de inscritos era extremamente diversificado, em todos os aspectos possíveis. E era impossível adivinhar no que essa mistura ia dar.
E foi um resultado excelente. Todos nós professores estávamos há mais de uma semana dormindo muito pouco e trabalhando feito loucos. Só que durante o curso, quando víamos todo mundo na turma com “brilho no olho”, interessadíssimos e querendo se aprofundar no mundo do Search, era impossível sentir cansaço.
Foi uma turma pontual, dedicada, educada, participativa e compreensiva. Não podíamos pedir mais. Muito obrigado a todos vocês que confiaram no nosso trabalho e investiram sua grana e seu fim de semana no SEM Dúvida!
Agora? Nada. O evento foi fantástico mas exige muita dedicação. Por várias outras coisas que irão tomar todo o meu tempo, não esperem ver meu nome associado a um evento nas próximas semanas. Mas a experiência de um curso foi muito bacana e acho que poderemos ter novidades mais para a frente.
Só que isso vai depender mais do mercado do que de nós, meros organizadores. Nos digam se há público, se há interesse (e no que), que vamos honrar nosso compromisso de ajudar o mercado com o que pudermos.
EDIT: Quando temos poucos minutos para escrever um post, a gente sempre deixa coisas importantes para trás. E o que estou adicionando aqui não poderia faltar de jeito nenhum:
Sem o Alberto André este evento jamais teria nascido. Tudo do SEM Dúvida tem pelo menos 50% de mérito dele. Impressionante ver o quanto o Alberto é apaixonado por Search e o quanto ele se dedica para que o mercado evolua. Para quem não sabe, ele acabou de fazer uma cirurgia no pé. E teve aguentou horas e horas de pé no curso sem reclamar de nada. Ele correu risco de ter complicações sérias. E podem ter certeza: não foi por dinheiro. Não bastasse isso, como eu já disse, ele deu um show nas suas aulas. Sinceramente não sei como esse garoto aprendeu tanto sobre SEM tão rápido. Acho que a Seleto tem um futuro brilhante pela frente. Muito obrigado pela parceria e pela dedicação Alberto! Você é o cara!
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E nesta semana aconteceu a tão esperada primeira edição do Search Labs 2010, um evento de Search Marketing em São Paulo que reuniu diversas referências do mercado nacional e internacional.
Neste post, vou tentar passar uma visão geral de como foi o evento e as principais palestras em que estive. Mas é importante avisar desde já que não assisti a todas as apresentações, já que eram 3 salas simultâneas durante os dois dias de evento.
Doc Luz e cia, os organziadores do Search Labs reuniram um time fantástico de palestrantes internacionais para o evento. Conseguir trazer profissionais que são altamente requisitados em todas as partes do mundo é um trabalho complicadíssimo e por isso eu tiro o meu chapéu para os organizadores.
E o nível das apresentações definitivamente compensou o esforço. No primeiro dia, Dennis Goedegebuure, diretor de SEO do eBay, mostrou como é trabalhar com SEO em um dos mais importantes sites do mundo. Foi muito interessante ver os caminhos que ele adota para trabalhar SEO em um site tão grande e que tem praticamente 100% de seu conteúdo gerado por usuários. Também foi curioso ver que mesmo ele, no eBay, tem sérias dificuldades para evangelizar outras áreas da empresa sobre a importância do SEO.
Em seguida tivemos Jason Hall, ex-diretor de Links Patrocinados do Shopzilla, o “Buscapé dos EUA”. Apesar do Doc Luz, em uma pergunta infeliz de um participante, ter sido forçado a dizer que a apresentação de Jason foi a que mais deixou a desejar, no meu ponto de vista foi uma palestra muito válida. Ele não detalhou muito o lado técnico do seu trabalho, mas fez comentários muito interessantes sobre seu papel e seus objetivos como diretor de PPC de um dos maiores anunciantes do mundo. Quem falou mais sobre prática com Links Patrocinados foi Pavel Dolezal, um tcheco que atua no mercado de 4 países do leste europeu, incluindo a Rússia. Foram mostradas várias ferramentas de trabalho que ele mesmo desenvolveu. Também foi curioso ver a realidade na qual ele trabalha, com vários outros sistemas de busca fortes no mercado. Exatamente o oposto do nosso mercado, que é dominado pelo Google.
O segundo dia de evento já começou com Todd Malicoat, uma referência mundial em Link Building falando sobre o trabalho de ganhar links com Social Media. O ponto alto da palestra foi o choque de realidade que ele passou para os ufanistas ao afirmar que não se faz link building em Social Media sem usar e abusar de perfis fakes, troca de interesses com grupos de usuários e outras estratégias “questionáveis”.
E mais tarde tivemos a palestra que eu pessoalmente aguardava com mais ansiedade: Vanessa Fox. O seu tema foi Arquitetura de Informação e SEO. E foi muito interessante ver como ela abordou um tema tecnicamente complexo com uma apresentação clara e simples. Não é a toa que o seu livro, Marketing in the Age of Google, trata SEO de maneira incrivelmente acessível para executivos e pessoas de fora da indústria de Search. Muito bom.
E fechando a participação gringa, tivemos Melanie Mitchell, ex-AOL e que já esteve no Brasil no SMX 2008. Ela falou sobre a integração e busca com os vários outros canais de comunicação de uma marca.
De modo geral, as apresentações de brasileiros foram muito boas. Em muitos momentos ficou clara a dedicação que vários tiveram para levar um conteúdo bacana para o evento. Por outro lado, em um ou outro momento foi estranho ver alguns palestrantes brasileiros tratarem o público como um bando de iniciantes enquanto os palestrantes americanos, que são os que poderiam nos considerar “verdes demais” abordaram tópicos muito mais complexos com sucesso. Mas isso foi uma pequena minoria. No modo geral, os brasileiros se saíram muito bem.
No primeiro dia, destaque para o Alex Pelati, dando valiosas dicas sobre Local Search; Léo Naressi e Ruy Carneiro dividindo muito bem o palco para falar de Web Analytics e Search; e o organizador da festa, DocLuz, com uma caprichada apresentação com dicas concretas de Links Patrocinados.
No segundo dia, Flávio Raimundo fez uma apresentação muito bem humorada sobre planejamento de conteúdo a médio e longo prazo e também trouxe seus tradicionais “alertas” sobre SEO que muito agregaram ao evento. E não dá para deixar de destacar a excelente palestra sobre Link Building de Cassiano Travareli. Pegar um tema que a maioria das pessoas já viu em várias palestras (mas mesmo assim sempre querem coisas novas), no mesmo evento em que uma referência mundial (Todd Malicoat) também está falando é uma tarefa ingrata para qualquer um. Mas o Cassiano mandou muito bem. Fez uma apresentação clara, concisa e entupida de dicas que a maioria dos SEOs pensaria 100 vezes antes de soltar. Excelente.
É complicado avaliar palestras de funcionários do Google sobre SEO.
As participações de Ariel e Pedro Dias eram duas das principais atrações do Search Labs. E a presença deles gerou discussão semanas antes do evento começar. Então a expectativa pelo que eles tinham a dizer estava alta.
Antes da minha opinião: não me entendam mal. É óbvio que se ambos não fossem extremamente competentes, eles não ocupariam os cargos que ocupam. E sou mais uma das pessoas que aprovam e admiram o trabalho deles com a comunidade de Search.
Mas a cada palestra fica mais claro para mim o quanto os funcionários do Google são sufocados para não passar nenhum tipo de informação que tenha uma possibilidade mínima de revelar para alguém algum detalhe do algoritmo do Google e do trabalho da equipe de Web Spam. Tanto o Ariel quanto o Pedro foram muito simpáticos e atenciosos durante todo o evento. Mas em suas participações, vimos dicas para iniciantes e respostas genéricas para dúvidas dos que perguntaram. E não sei se precisa mesmo ser assim. A Vanessa Fox, que é ex-Google, abordou assuntos muito mais complexos sem precisar revelar nenhum segredo de estado da empresa.
Definitivamente não sou contra a participação de Googlers em eventos. E gostaria de ver Ariel e Pedro novamente nos próximos Search Labs. Mas acho que seria muito importante levar a conversa para outro nível, tratar de assuntos avançados e entender como podemos nos dar melhor com a empresa que domina o mercado de Search brasileiro.
Excelente. Provavelmente o Search Labs foi o melhor evento de Search que o Brasil já teve. Claro que houve problemas com fila, internet, coffee break, etc. Mas o foco foi o CONTEÚDO do evento. E foi para isso que eu fui parar lá. E nisso eles foram impecáveis. Parabéns para todos os organizadores e que comece a contagem regressiva para o Search Labs 2011.
Categorias: Mercado
Nos dias 14 e 15 de agosto estarei dando um curso de Search Engine Marketing em Belo Horizonte. O curso é o SEM Dúvida e, além de mim, teremos mais 3 professores por lá: Filipe Reis, o media planner da Plan B; André Carneiro, o gerente de projetos da Vox Mídia e Alberto André, gerente de Search da Seleto e um dos criadores do UaiSEO.
A ideia do curso veio de conversas entre mim e o Alberto e o questionamento constante de pessoas que nos procuravam perguntando sobre cursos de SEO e Links Patrocinados em Minas Gerais. E nós não sabíamos o que responder porque raramente víamos os poucos cursos que já aconteceram aqui terem um feedback positivo.
Além disso, nós tínhamos (e ainda temos) a clara percepção de que um dos principais fatores que está atrasando o “boom” do Marketing de Busca em MG é a falta de “mão-de-obra” qualificada. Quando um profissional começa a se destacar, rapidamente ele é assediado pelo mercado paulista e, normalmente, para lá se transfere.
Neste cenário, decidimos criar um curso nós mesmos. Não só sobre SEO e nem só sobre Links Patrocinados. Mas sobre o Marketing de Busca como um todo. Porque acreditamos que SEO e PPC se complementam e, mais do que isso, potencializam um ao outro. Portanto é essencial o domínio das duas estratégias. Também não queríamos ter que escolher entre um curso técnico, estratégico ou “business”. Decidimos abordar esses 3 lados juntos. Porque acreditamos que um grande profissional de Search precisa trabalhar bem nos 3 campos.
Com o conceito fechado, decidimos chamar mais 2 professores para o curso: Filipe Reis, o media planner da Plan B, que eu considero como um dos melhores profissionais de mídia online do Brasil e André Carneiro, que além de gerenciar os projetos da Vox Mídia (atendendo clientes do porte de Ricardo Eletro), tem experiência como consultor em SEM e Web Analytics.
Depois do OK de todos, foi correr atrás de infra-estrutura, buffets e tudo que envolve a organização de um evento. E assim como foi com os professores, conseguimos fechar rapidamente com aqueles que considerávamos ser os melhores.
Por tudo isso, estamos muito animados com o curso. Esperamos conseguir atingir o objetivo inicial, que gerou isso tudo: ajudar a qualificar o nosso mercado, provocar discussão e mostrar o quanto SEM é importante para o mercado digital mineiro, que já não pode ser chamada de “pequeno” há muito tempo.
As inscrições estão abertas no site do curso, com o preço mais baixo valendo apenas até a próxima segunda-feira, 12/07. Tentamos oferecer o valor mais acessível que pudemos. E acho que conseguimos chegar em números bem satisfatórios, considerando todo o valor que se obtém em eventos assim e tudo que está por trás para viabilizar isso.
Qualquer dúvida ou sugestão, entrem em contato pelo site do evento ou por aqui mesmo.
Categorias: Links patrocinados, Mercado, SEO
Na não muito longa história deste blog, nunca tivemos uma entrevista. Não que eu não goste do formato. Muito pelo contrário. Mas a falta de tempo (e organização) da minha parte sempre atrapalharam. Mas hoje estou orgulhosamente publicando uma entrevista que fiz com um grande profissional de Marketing Digital que tem muito a dizer sobre a área.
Nossa conversa será com Gustavo Bacchin. Co-fundador da Cadastra, uma das maiores agências de SEM brasileiras, Head of SEO e Social Marketing da Ads Dot Com, em Londres e editor executivo do portal SEM Brasil. Vamos ler considerações sobre SEO no Brasil X SEO no Reino Unido, Social Media, carreira em Marketing Digital e muito mais.
Antes de mais nada, obrigado ao Gustavo pela atenção, disponibilidade e pelo excelente conteúdo compartilhado conosco. Agora, vamos para a entrevista:
Como um SEO brasileiro foi parar na Ads Dot Com, em Londres?
Olá, leitores do Marketing Contextual, e muito obrigado, Rafael, pelo convite para esta entrevista.
Já são quase 8 anos em Londres. A decisão de vir para Londres foi, de certa forma, fácil de tomar. Eu terminei minha faculdade de Administração de Empresas e minha cidadania italiana foi aprovada logo depois (como cidadão italiano eu poderia trabalhar em Londres sem necessidade de visto – qualquer cidadão de países da comunidade européia pode). Eu queria trabalhar em um mercado onde eu pudesse crescer como profissional, estudar, desenvolver meu inglês e por último, viajar o mundo. De certa maneira nada me prendia no Brasil e tudo me dizia “vai”. Londres tinha a combinação certa de mercado de trabalho, trabalhar e morar sem necessidade de visto, viajar barato e fácil para qualquer lugar do mundo e uma riqueza e diversidade cultural que tu só encontras parecida em Nova Iorque.
Já a minha vinda para a Ads Dot Com em junho do ano passado começa pela minha passagem como SEM Manager pela Ladbrokes, uma empresa centenária, líder em apostas esportivas no Reino Unido, ou seja, uma marca fortíssima por aqui. Durante os meus 2 anos e meio lá tive a oportunidade de realizar um trabalho muito bacana e isso combinado com a visibilidade que a Ladbrokes como marca me proporcionou, me valorizou muito como profissional no mercado de SEM aqui do Reino Unido. Por mais que pareça estranho falar isso, o Reino Unido é uma ilha pequena, um trabalho bem feito por aqui gera frutos muito rapidamente.
Depois de passar um ano na Isango!, uma empresa de turismo especializada em excursões e tours ao redor do mundo, recebi a proposta da Ads Dot Com. Já conhecia a Ads Dot Com desde a minha época na Ladbrokes, sabia que eles eram responsáveis pelas marcas InterCasino e InterPoker, sendo InterCasino o primeiro casino online da história, portanto uma marca estabelecida e com um grande know-how. Conhecia a força deles nos resultados orgânicos através das análises competitivas que fazíamos na Ladbrokes (a Ladbrokes também possui um cassino online). Não tive como rejeitar a volta ao mundo de gambling. Primeiro, pelo projeto: o lançamento, com o suporte de campanhas offline e online, de uma marca e website completamente novos (o rebrand foi feito pela agência americana Michael Peters & Partners, responsável por marcas como Johnnie Walker e Universal Studios), segundo no âmbito SEO; a chance de montar um time do zero (recrutar, treinar – algo que sempre gostei de fazer), ter um budget dedicado à SEO que me permitiria realizar diversos projetos, treinamentos in-house, atender conferências, desenvolver ferramentas e, por último, ser também o responsável pelo Social Marketing da empresa, uma área que eles ainda desconheciam. Ou seja, um prato cheio para quem gosta de SEO e Social Media. Estou na Ads já faz 11 meses, temos 2 SEO’s in-house, estamos recrutando mais um, e também gerencio o trabalho com uma agência de SMM e 3 agências de SEO que nos ajudam em atividades diversas.
Muitas pessoas apontam como principal diferença entre o mercado de SEO brasileiro e mercados mais maduros como Reino Unido e Estados Unidos o fato de que aqui ainda estamos muito mais preocupados com os fatores on-page do que com os fatores off-page. Você concorda com este ponto de vista? Quais outras diferenças você pode destacar entre o mercado brasileiro e o mercado europeu de Search?
Sobre o on-page e off-page, concordo mas é apenas uma questão de tempo, do nível de competitividade se tornar mais acentuado, para que haja um equilíbrio maior no uso de estratégias on-page e off-page. Quanto mais SEO crescer no Brasil e mais gente fizer (bem) o on-page – que é de certa maneira mais fácil de se fazer e de se copiar, mais nivelados estarão os websites e mais difícil será alcançar o topo dos resultados orgânicos somente com on-page. O off-page se tornará uma necessidade natural, será o diferencial. Não tem como escapar, minha opinião é de que a parte de tecnologia do seu site é apenas a fundação do seu SEO. Conteúdo é a base e o determinante da suas estratégias – a chave para gerar tráfego de palavras-chave long tail, a ferramenta mais eficaz para se atrair links de qualidade, etc, porém tecnologia e conteúdo não são, há muito tempo, os diferenciais em um projeto de SEO. A SEOmoz publicou em 2009 uma pesquisa sobre fatores de posicionamento onde aponta que somados, os fatores off-page equivalem a mais de 65% do algoritmo do Google.
Porém, quero aproveitar para compartilhar um pensamento sobre off-page e link building. O que eu tenho visto muito por aqui é uma abordagem com o simples objetivo de se construir links externos para rankings. Este tipo de tática gera o tipo de links que são “fáceis de se copiar”, sua “vantagem” tem data para expirar. O grande diferencial e vantagem competitiva de qualquer website deve ser o seu negócio, o seu produto e/ou serviço. Sua capacidade de alavancar links tem que estar conectada a estes, de criar relacionamentos duradouros com parceiros, fornecedores e, principalmente, consumidores. Eu acredito firmemente que link building hoje é sinônimo da sua capacidade de estabelecer e desenvolver relacionamentos online. A Forrester publicou em 2007 um estudo traçando o perfil dos usuários online, como eles se comportam, quem tende a participar mais ou menos, criar, compartilhar e distribuir conteúdo, etc. É um estudo que pra mim foi essencial no mapeamento das minhas redes de relacionamento e de quem eu posso ter os melhores benefícios para o meu SEO. O estudo pode ser adquirido aqui, e um preview está aqui.
Quanto a outras diferenças de mercado, as mais acentuadas para mim são inovação e educação. Ainda criamos muito pouco, copiamos ou adaptamos muito no Brasil, não há inovação, pesquisas, não existem cases de sucesso em links patrocinados e SEO suficientes para atrair o interesse das empresas. Pelo menos não no nível que eu vejo aqui e nos Estados Unidos. O conteúdo sobre search disponível na web, os livros, os cursos e eventos ainda não alcançaram as grandes empresas e os gerentes de marketing, ainda vivemos em um “mundinho” muito só nosso. Temos que “colocar search marketing na rua”. Estou otimista, tem muita gente boa entrando no mercado, profissionais estão amadurecendo e acredito que nos próximos 2-3 anos o mercado vai crescer muito mais e muito rapidamente. Brasil é o mercado do momento.
Algumas pesquisas indicam que no mercado americano cerca de 90% dos cliques em sites de busca são em resultados orgânicos. Mas curiosamente, apenas pouco mais de 10% dos investimentos de SEM são em SEO. Alguns profissionais acreditam que nos próximos tempos, veremos no mercado mundial os investimentos em SEO ficarem mais próximos dos investimentos feitos em links patrocinados. Essa maior atenção dada a SEO se daria devido a fatores como CPCs impraticáveis em diversos setores e menores custos a longo prazo em SEO. Você compartilha dessa visão?
Compartilho sim. Porém, acredito que não vai ser assim tão rápido como todos desejam nem acho que irá chegar a um balanço com links patrocinados, muito menos ultrapassá-los (porém, torço para que eu esteja errado). Digo isso simplesmente porque SEO está cada vez mais complexo e mais competitivo, e resultados cada vez mais a longo prazo. A curto e médio prazo, em muitos casos, o investimento é alto e está aumentando, devido ao alto grau de especialização, o que torna mais difícil de se vender o serviço.
A curva de aprendizado em SEO ainda é muito acentuada se comparada com a de links patrocinados, e só tem aumentado com a constante inovação e desenvolvimento das ferramentas de busca. Mas sem dúvida SEO ainda vai crescer muito, os sinais estão aí para quem quiser ver. Nunca houve tantas agências e vagas para SEO’s, pesquisas, ferramentas, livros e eventos. O próprio Google tem dado cada vez mais suporte à comunidade e ao mercado.
Você é o responsável por SEO e Social Media na InterCasino. Quais são os pontos em que você enxerga interseções entre estas duas áreas? Como SEO pode ajudar em Social Media e vice-versa?
Existem diversos pontos. Alguns beneficiam o posicionamento orgânico de um site mais diretamente, como o uso de redes sociais para promoção e distribuição de conteúdo, e aquisição de links. Já outros não tanto no sentido de posicionamento, como a utilização de sites de redes sociais para SERP domination, que é uma área de SEO.
Em SEO para Social Media, utilizamos técnicas para otimização do conteúdo que é distribuído em redes sociais, otimizamos links, etc. O mais importante é que a presença de uma empresa em redes sociais contribui para a visibilidade da sua marca e enriquece a experiência do usuário. Redes sociais e o seu site às vezes se complementam, outras vezes são independentes. Existem circunstâncias onde você deve oferecer um link para o seu site e outras para, por exemplo, a sua página no Facebook. Tudo depende da estratégia e do tipo de resultado que você quer obter.
No Brasil, nós estamos engatinhando em questões ligadas a SNA (Social Network Analysis). Agências e clientes estão começando a entender o tipo de retorno que devem esperar em ações de Social Media. Mas apenas uma pequena minoria consegue mensurar tal retorno. Como é essa realidade na Europa? Existem ferramentas e indicadores maduros o suficiente para apontar o nível de sucesso em esforços de Social Media?
As ferramentas disponíveis e métricas são basicamente as mesmas. Recentemente passamos duas semanas apenas testando ferramentas – Radian6, Techcrigy, Sentiment Metrics, Live Heat, entre outras – e escolhemos a que melhor se encaixava em nossas necessidades. Todas as ferramentas ainda tem muito para melhorar, todas tem problemas e limitações, e algumas preços extremamente altos.
Quanto a indicadores, sei que essa frase já está batida, mas trabalhando para uma empresa de cassino e poker eu vejo o quanto isso é importante e determinante: cada negócio deve procurar identificar o seu(s) indicador(es) de sucesso, individualmente para cada uma das redes sociais que utilizar. Existem as métricas básicas que indicam engajamento e penetração como número de views e comentários em um vídeo do YouTube, ou número de retweets no Twitter, porém serão esses indicadores de sucesso da SUA campanha? O que significa engajamento para a sua marca e produto? Views? Visitas? Ambos? Quantos retweets representam sucesso? 100? 1.000? 100.000? Jogadores de cassino são muito diferentes dos jogadores de poker. Poker você joga contra outra pessoa, existe diálogo, até compartilhamento de estratégias com outros jogadores, em cassino, é você contra a “casa”. Socializar com a “casa” não é algo natural para eles.
Temos que ter metas realistas (de novo, de preferência, por plataforma social), administrar expectativas, investir nas plataformas que o nosso consumidor realmente usa (e não ir atrás de todas as modas) e ter muito cuidado para não priorizar indicadores que não significam nada. Lembrem-se sempre da métrica para websites, hits, antes uma métrica usada por todos, hoje uma piada nos círculos de especialistas. Tem muita gente mensurando sucesso em redes sociais usando indicadores do tipo hits, que não dizem absolutamente nada.
Que dicas você daria para quem quer fazer carreira em Marketing Digital fora do Brasil?
O mercado digital assim como a internet está apenas em sua infância, tem muito espaço para gente determinada, criativa e profissional.
1. Mantenha-se atualizado: internet é uma área muito dinâmica, em constante transformação. Faça os cursos que puder, vá em eventos da sua área, leia livros, artigos, jornais e blogs.
2. Inglês, inglês e inglês: Escrever, ouvir e falar. Comunicação é, e sempre será, a base de tudo. Inglês é a língua da internet e do mundo. Abre ou fecha portas. Invista em seu inglês agora.
3. Invista em certificações: as certificações profissionais do Google em Adwords e Analytics são bons exemplos de “selo de conhecimento mínimo”. Isso ajuda a quem está recrutando você.
4. Ponha a mão na massa: como eu disse acima, o mercado digital ainda está engatinhando, e novos “gurus” surgem todo dia. Informação não é o diferencial. O que precisamos são profissionais com conhecimento obtido na prática. Não meça esforços para trabalhar na sua área. Comece de baixo se for preciso. E não tenha medo de errar. O importante é colocar a cara à tapa e botar a mão na massa o quanto antes.
5. Seja determinado e insistente: o mais difícil é entrar no mercado, uma vez dentro, se for dedicado e fizer um bom trabalho, o resto é consequência.
Quando iremos ver Gustavo Bacchin em um evento brasileiro de Search?
Infelizmente, não em breve. Já tive que declinar alguns convites por causa da distância. Estou organizando minhas próximas férias no Brasil, quem sabe entre julho e agosto eu estou por aí.
Categorias: Mercado, SEO, Social Media
Impressionante essa última mudança da home do Twitter. Eu estava organizando uma apresentação sobre Busca Social para um cliente da agência e parei para analisar o que aconteceu nessa mudança de home. Acho que ela tira muitas dúvidas que ainda pairavam no mundo do marketing digital. Veja a comparação:

A antiga home do Twitter

A nova home do Twitter
A antiga home era claramente focada em duas coisas: Explicar o que era o Twitter e fazer com que o visitante se tornasse usuário da rede.
Com a nova home, (praticamente) tudo mudou. Obviamente, não se perde mais espaço explicando o que é o Twitter. Afinal, em um mundo onde até jornalistas esportivos da rádio mineira Itatiaia usam a rede social, qualquer explicação se faz desnecessária. A chamada para o cadastro do usuário ainda está lá. Mas bem mais discreto, no canto direito da página.
O que ficou claro nessa home foi a mudança de posicionamento do Twitter. O site agora se posiciona claramente como uma ferramenta de busca. Posicionamento que acredito que irá se tornar cada vez mais claro daqui para a frente. Ao entrar no site, o cursor já é focado diretamente no campo de busca, elemento mais destacado da página. A frase de chamada do site também não deixa dúvidas: “Share and discover what’s happening right now, anywhere in the world”. Isso para mim é o slogan de um site de busca. Por fim, há destaque para os tópicos mais comentados do momento, do dia e da semana.
Se alguém ainda cogitava que o Twitter e o Google iam estabelecer algum tipo de parceria, acho que essa nova home deixou claro que isso não está nem perto de acontecer. O que imagino que veremos daqui para frente é uma disputa muito interessante. De um lado o Google tentando trazer resultados com conteúdos cada vez mais recentes. A especialidade do Twitter. E o Twitter, por sua vez, vai trabalhar para conseguir organizar melhor a relevância de seus resultados de busca e ser menos vulnerável a problemas de spam. Expertises do Google.
Categorias: Mercado

No último sábado, aconteceu no hotel Ouro Minas, em Belo Horizonte, a primeira edição do iMasters Interact. O evento do grupo iMasters será itinerante e ocorrerá anualmente. O tema central deste ano foi “Criação e Planejamento Digital”. O evento foi dividido em 2 áreas. Um auditório principal, onde ocorreram palestras “clássicas”, apresentadas por Cazé Peçanha; e um espaço do hotel originalmente usado como boate, onde ocorriam apresentações mais curtas e intimistas, sob a moderação de Luli Radfaherer e Raphael Vasconcellos.
Exatamente por essa divisão e pelo fato de as apresentações ocorrerem de forma simultânea, só comentarei sobre as palestras nas quais estive presente. De qualquer forma, a organização prometeu disponibilizar em breve todo o evento gratuitamente no Videolog.
Na abertura do evento, acompanhei o palco principal, onde Ana Erthal abordou o tema “A experiência sensorial e o futuro da tatilidade”. Foi uma interessante viagem pela história da tatilidade, desde milhares de anos antes de cristo até os dias atuais. Mas, infelizmente, a palestra parece não ter agradado a maioria do público. Reação que talvez se justifique pela falta de dinâmica da apresentadora em alguns momentos e pelo excesso de longas citações de autores como Marshall Mcluhan.
Em seguida, fui para a boate acompanhar a parte final da apresentação de Raphael Vasconcellos, da AgênciaClick. A apresentação até me surpreendeu positivamente já que a última vez em que o assisti, no Intercon 2007, não vi nada mais do que um grande jabá do trabalho da Click. Desta vez, Raphael fez uma palestra altamente pessoal, questionando o glamour do mundo da publicidade e levando a platéia a pensar sobre seus objetivos pessoais e profissionais.
Voltando para o auditório, acompanhei a melhor apresentação do evento: a de Fabiano Coura, da Neogama/BBH. A apresentação foi um excelente equilíbrio entre teoria e exemplos práticos de criação digital. Fabiano mostrou com dados objetivos que a criatividade traz grandes resultados na internet. Com uma apresentação dinâmica e cases recentes, Fabiano prendeu a atenção do público por 1 hora e foi escolha quase unânime de melhor palestra de acordo com as pessoas com quem conversei.

Foto de Giovanni Monteiro
Ainda no auditório, acompanhei Michel Lent fechar a manhã do evento falando de “Criação estratégica e comunicação na web”. Lent parece não ter empolgado a todo mundo. Muito pelo motivo da palestra ter uma dosagem enorme de jabá da Ogilvy/10 minutos. Mas, pessoalmente, considerei a sua apresentação uma das mais essenciais do evento. Simplesmente porque Lent lembrou em vários momentos que criação precisa ser orientada a resultado. Muitas vezes, eventos voltados para profissionais de criação acabam se tornando uma espécie de “orgia criativa”, onde ninguém lembra que quem está pagando por tudo é o cliente. Confesso que quase fiquei emocionando com Lent apresentando Key Performance Indicators (KPIs) para dezenas de criativos mineiros na platéia.
Após o intervalo de almoço, acompanhei Suzana Apelbaum no auditório com o tema “Inovação na Criação Digital”. Essa para mim foi a palestra mais fraca do evento. A maior parte da apresentação foi de cases consideravelmente batidos de comunicação digital como Nike Plus e (acreditem!) Heroes. Sai durante a palestra e ainda acompanhei o final da apresentação de Alexandre Bessa sobre “Administração de Criativos”. O que vi foi muito parecido com o que Bessa já havia falado no Intercon 2008.
Depois de um tempo visitando os stands do evento, voltei para boate (e não saí mais) para acompanhar Emerson Calegaretti, do Myspace, falar sobre tendências em redes sociais. O mais interessante dessa apresentação acabou sendo uma discussão entre Emerson e Michel Lent, onde os dois tinham seu razão. Cada um defendendo seu peixe. Lent defendia a importância de hotsites e Emerson dizia que hotsites não eram nada sem divulgação.
Na apresentação em sequência, Caio César tentou mostrar ao público que sites com boa usabilidade e com foco no usuário não precisam ser feios. Infelizmente, não houve tempo para terminar a apresentação e, quando ia começar a dar exemplos, Caio foi (com certa indelicadeza) interrompido por ter estourado seus 30 minutos de apresentação. O que ele não conseguiu terminar de dizer já está disponível em seu blog.
Em seguida, Viviane Vilela, do SEBRAE fez uma excelente apresentação sobre empreendedorismo. Em vez de falar das flores de se ter seu próprio negócio, como na maioria das palestras sobre o tema, Viviane mostrou todas as dificuldades e responsabilidades que precisam ser levadas em conta, antes de se decidir abrir uma empresa. Mais um conteúdo muito importante no evento. Deu uma dose de realidade na “orgia criativa”.
Finalizando o evento, Luli Radfahrer adotando o estilo auto ajuda, mostrou que ainda é o dono do título de “showman” da Internet brasileira. Com uma apresentação subjetiva, Luli buscou levar as pessoas a repensarem o rumo de suas carreiras. Pelo que vi, funcionou com muita gente.
No último evento do iMasters, o Intercon 2008, fui e não gostei do que vi. Em um evento sobre inovação, a organização havia caído no erro de “inovar por inovar”, trazendo um monte de ditas novidades revolucionárias que acabaram por prejudicar o conteúdo do evento, que é o que realmente interessa.
Mas, agora com o InterACT, sinto que o iMasters está voltando para o rumo certo. O conteúdo das apresentações foi em média bem legal e as inovações do evento funcionaram bem (com exceção das perguntas via Gengibre, que ninguém conseguia entender). Acho que o evento fez o que pregou. Busca pela inovação, mas com o pé no chão. As novidades criadas deixaram de ser meras perfumarias e agregaram valor de verdade ao evento. Legal ver o iMasters aprendendo com os erros.
Mas, por último, não posso deixar de destacar que eu, como integrante do mercado mineiro, fico um pouco envergonhado com o fato de que para termos um evento de Internet de grande porte, pessoas de outros estados precisam vir para cá e mostrar como se faz.
Interminas e InterACT esgotaram suas entradas semanas antes de ocorrerem. Então, a desculpa de que “não há público” não cola mais. Vamos nos mexer, pessoal!
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