200912/02

Google Latitude: O sonho de todo anunciante

por Rafael Damasceno

Eu já queria ter dado os meus pitacos sobre o Google Latitude (mais detalhes no Undergoogle) na semana passada, quando ele foi lançado. Como o tempo apertou, ficou para hoje mesmo.

Não quero chover no molhado, mas a primeira coisa que me vem na cabeça sobre esse serviço é uma enorme polêmica sobre privacidade. E eu não sou o único que pensa assim. Se já não eram suficientes as diversas questões de invasão de privacidade nas quais o Google estava envolvido, agora então é que não vão faltar argumentos para os críticos.

Outro ponto que vale a pena deixar claro é que o Google não é o primeiro nem o único a oferecer uma ferramenta robusta de LBS. Aqui mesmo no Brasil, no SMX 2008, fomos surpreendidos pela apresentação do Onde Estou, do site Apontador. A idéia do serviço é parecida com a do Google Latitude. Seus amigos se cadastram e você descobre onde eles estão e o que estão fazendo. Há a possibilidade ainda de encontrar informações sobre clima, trânsito, cinema, bares e outros estabelecimentos próximos de sua localização.O grande diferencial do Google é o seu poder de atrair muitos usuários. Afinal, um aplicativo com foco em interações sociais não serve para nada sem um número razoável de adeptos.

Mas o que é realmente impressionante nesse tipo de serviço é o grande universo de possibilidades para ações de marketing. E como o Google é uma empresa que vive de venda de espaços publicitários, esse deve ser o objetivo central desse projeto.

Alcançar os usuários tendo como base onde eles estão e o que estão fazendo abre um novo mundo de oportunidades no mundo do marketing contextual. Ofereça um sorvete quando a temperatura da sua região estiver acima de 30 graus. Ou um café quando estiver abaixo de 20. Cerveja e petiscos para amigos que se encontram perto do bar. Jornais e revistas para quem estiver no ponto de ônibus. Enfim. O limite passa a ser muito mais criativo do que tecnológico.

Claro que, por enquanto, tudo isso está no campo das possibilidades. Ainda nenhuma plataforma oferece opções realmente avançadas para anunciantes em serviços de LBS. Mas a entrada do Google nesse ramo é um sinal de que esse dia está cada vez mais próximo.

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Categorias: Marketing, Mercado

4 comentários até o momento:
  1. Giovanni fevereiro 13, 2009 at 7:08 pm

    Eu lembro quando eu ganhei meu primeiro celular preto branco da nokia. FORÇADAMENTE, nunca tive vontade de ter celular. Nem cabia no bolso da calça jeans, ficava um pedaço pra fora.

    Hoje se eu não carrego ele parece que esqueci algo como meus próprios óculos.

    Agora imagine o serviço que pode guardar tudo que você costuma fazer, os lugares que você visitou. Estamos rompendo ainda mais a barreira dos “logs” e registros nos servidores do que a gente fazia na vida virtual pro que fazemos na vida real: O BAR que voce bebeu cerveja pode ser um cadastro.

    Claro que LBS’s oferecem muitas vantagens pros usuarios comuns, facilita enderecos, contatos e etc, voce nao precisa nem gastar uma ligação pra saber onde ciclano está, mas continuo cismado com a privacidade.

    Ultimamente eu venho evitando sair cadastrando nos serviços sociais que surgem que invadem demais a privacidade ou te escravizam online: não por “paranóia”, se fosse assim nem teria e-mail, e sim porque acho que estamos nos FORÇANDO a ficarmos conectados demais, e acho que não precisamos disso.

    Acho que acabamos passando tempo demais online quando poderíamos aproveitar mais o (pouco) tempo que temos de forma offline.

  2. Marcus Escreve. Nós Lemos. » Tecnologias da ficção a favor da Comunicação. fevereiro 16, 2009 at 10:56 am

    [...] tempo: No blog Marketing Contextual, Rafael Damasceno faz uma boa crítica sobre o Google Latitude. Vale a pena a [...]

  3. Priscila Cunha fevereiro 19, 2009 at 9:39 am

    Tudo que é novo assusta. Gera milhares de teorias conspiratórias ou atrai milhares de fanáticos. Fico feliz em ver as pessoas pensando o assunto, mas, penso que ainda seja muito cedo para qualquer conclusão.
    De fato, há os que arrepiam da cabeça aos pés só em pensar que agora existe mais uma forma de ser achado. Mas, ao mesmo tempo (e acredito que talvez em escala até maior) há muitas pessoas que fazem questão de se expor. Veja a maior rede social do Brasil: o orkut. Quando ele estourou, milhares de pessoas destacaram justamente a possibilidade de encontrar pessoas que você não vê há tempos (depois, é que foram perceber que crimes poderiam ser cometidos com a ajuda do orkut etc. Mesmo assim, para muitos isso é mais alguma coisa que se não é ficcional, acontece só com os mais bobos). É muito provável que essas mesmas pessoas achem incrível a possibilidade de reencontrar amigos antigos por coincidentemente estarem em endereços muito próximos.
    Ainda não sabemos como lidar com esses avanços tecnológicos e com a nossa exposição na web. Por enquanto, tudo é hype. Muito em breve, vamos ter uma noção mais real da aplicação dessa nova tecnologia.

  4. George Lucas fevereiro 23, 2009 at 10:23 am

    Sem entrar em detalhes sobre o google latitude que tem uma idéia interessante (para brincar), mas não me parece muito útil (ficar com o GPS ligado no celular consome muita bateria, para elencar só um motivo); o problema maior para mim é o da privacidade dos dados. Imaginem todos com um super smartphone, repleto de aplicativos de midias socias e dados de e-mail e fotos de amigos, endereços…Imaginem que um destes aparelhos (um Put* banco de dados) foi roubado. O bandido sabe seu nome, telefone, e-mail, onde mora e nem precisou roubar o seu celular para isto.

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