200924/05

iMasters InterACT 2009: inovação com o pé no chão

por Rafael Damasceno

interact

No último sábado, aconteceu no hotel Ouro Minas, em Belo Horizonte, a primeira edição do iMasters Interact. O evento do grupo iMasters será itinerante e ocorrerá anualmente. O tema central deste ano foi “Criação e Planejamento Digital”. O evento foi dividido em 2 áreas. Um auditório principal, onde ocorreram palestras “clássicas”, apresentadas por Cazé Peçanha; e um espaço do hotel originalmente usado como boate, onde ocorriam apresentações mais curtas e intimistas, sob a moderação de Luli Radfaherer e Raphael Vasconcellos.

Exatamente por essa divisão e pelo fato de as apresentações ocorrerem de forma simultânea, só comentarei sobre as palestras nas quais estive presente. De qualquer forma, a organização prometeu disponibilizar em breve todo o evento gratuitamente no Videolog.

Na abertura do evento, acompanhei o palco principal, onde Ana Erthal abordou o tema “A experiência sensorial e o futuro da tatilidade”. Foi uma interessante viagem pela história da tatilidade, desde milhares de anos antes de cristo até os dias atuais. Mas, infelizmente, a palestra parece não ter agradado a maioria do público. Reação que talvez se justifique pela falta de dinâmica da apresentadora em alguns momentos e pelo excesso de longas citações de autores como Marshall Mcluhan.

Em seguida, fui para a boate acompanhar a parte final da apresentação de Raphael Vasconcellos, da AgênciaClick. A apresentação até me surpreendeu positivamente já que a última vez em que o assisti, no Intercon 2007, não vi nada mais do que um grande jabá do trabalho da Click. Desta vez, Raphael fez uma palestra altamente pessoal, questionando o glamour do mundo da publicidade e levando a platéia a pensar sobre seus objetivos pessoais e profissionais.

Voltando para o auditório, acompanhei a melhor apresentação do evento: a de Fabiano Coura, da Neogama/BBH. A apresentação foi um excelente equilíbrio entre teoria e exemplos práticos de criação digital. Fabiano mostrou com dados objetivos que a criatividade traz grandes resultados na internet. Com uma apresentação dinâmica e cases recentes, Fabiano prendeu a atenção do público por 1 hora e foi escolha quase unânime de melhor palestra de acordo com as pessoas com quem conversei.

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Foto de Giovanni Monteiro

Ainda no auditório, acompanhei Michel Lent fechar a manhã do evento falando de “Criação estratégica e comunicação na web”. Lent parece não ter empolgado a todo mundo. Muito pelo motivo da palestra ter uma dosagem enorme de jabá da Ogilvy/10 minutos. Mas, pessoalmente, considerei a sua apresentação uma das mais essenciais do evento. Simplesmente porque Lent lembrou em vários momentos que criação precisa ser orientada a resultado. Muitas vezes, eventos voltados para profissionais de criação acabam se tornando uma espécie de “orgia criativa”, onde ninguém lembra que quem está pagando por tudo é o cliente. Confesso que quase fiquei emocionando com Lent apresentando Key Performance Indicators (KPIs) para dezenas de criativos mineiros na platéia.

Após o intervalo de almoço, acompanhei Suzana Apelbaum no auditório com o tema “Inovação na Criação Digital”. Essa para mim foi a palestra mais fraca do evento. A maior parte da apresentação foi de cases consideravelmente batidos de comunicação digital como Nike Plus e (acreditem!) Heroes. Sai durante a palestra e ainda acompanhei o final da apresentação de Alexandre Bessa sobre “Administração de Criativos”. O que vi foi muito parecido com o que Bessa já havia falado no Intercon 2008.

Depois de um tempo visitando os stands do evento, voltei para boate (e não saí mais) para acompanhar Emerson Calegaretti, do Myspace, falar sobre tendências em redes sociais. O mais interessante dessa apresentação acabou sendo uma discussão entre Emerson e Michel Lent, onde os dois tinham seu razão. Cada um defendendo seu peixe. Lent defendia a importância de hotsites e Emerson dizia que hotsites não eram nada sem divulgação.

Na apresentação em sequência, Caio César tentou mostrar ao público que sites com boa usabilidade e com foco no usuário não precisam ser feios. Infelizmente, não houve tempo para terminar a apresentação e, quando ia começar a dar exemplos, Caio foi (com certa indelicadeza) interrompido por ter estourado seus 30 minutos de apresentação. O que ele não conseguiu terminar de dizer já está disponível em seu blog.

Em seguida, Viviane Vilela, do SEBRAE fez uma excelente apresentação sobre empreendedorismo. Em vez de falar das flores de se ter seu próprio negócio, como na maioria das palestras sobre o tema, Viviane mostrou todas as dificuldades e responsabilidades que precisam ser levadas em conta, antes de se decidir abrir uma empresa. Mais um conteúdo muito importante no evento. Deu uma dose de realidade na “orgia criativa”.

Finalizando o evento, Luli Radfahrer adotando o estilo auto ajuda,  mostrou que ainda é o dono do título de “showman” da Internet brasileira. Com uma apresentação subjetiva, Luli buscou levar as pessoas a repensarem o rumo de suas carreiras. Pelo que vi, funcionou com muita gente.

Conclusões

No último evento do iMasters, o Intercon 2008, fui e não gostei do que vi. Em um evento sobre inovação, a organização havia caído no erro de “inovar por inovar”, trazendo um monte de ditas novidades revolucionárias que acabaram por prejudicar o conteúdo do evento, que é o que realmente interessa.

Mas, agora com o InterACT, sinto que o iMasters está voltando para o rumo certo. O conteúdo das apresentações foi em média bem legal e as inovações do evento funcionaram bem (com exceção das perguntas via Gengibre, que ninguém conseguia entender). Acho que o evento fez o que pregou. Busca pela inovação, mas com o pé no chão. As novidades criadas deixaram de ser meras perfumarias e agregaram valor de verdade ao evento. Legal ver o iMasters aprendendo com os erros.

Mas, por último, não posso deixar de destacar que eu, como integrante do mercado mineiro, fico um pouco envergonhado com o fato de que para termos um evento de Internet de grande porte, pessoas de outros estados precisam vir para cá e mostrar como se faz.
Interminas e InterACT esgotaram suas entradas semanas antes de ocorrerem. Então, a desculpa de que “não há público” não cola mais. Vamos nos mexer, pessoal!

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Categorias: Mercado

6 comentários até o momento:
  1. Marcus Lemos maio 25, 2009 at 11:11 am

    Fala Rafael!

    Muito bom o seu texto… não presenciei as mesmas palestras qe vc, já que fiquei a maior parte do tempo nas apresentações “clássicas”. Assisti somente a do Luli, na boate.

    Mas as minhas opiniões se assemelham muito às suas. Acho, ainda, que alguns temas ali poderiam ser tratados com um pouco mais de profundidade, ao invés de se prender a tópicos superficiais. Mas na média geral, gostei e deu pra enriquecer um bocado.

    Assino embaixo!

    Abraço.

  2. Gabriela Jardim maio 25, 2009 at 11:14 am

    Rafa, adorei o seu post! Obrigada pelo “apanhado geral” do evento.
    Muito válido para aqueles que não puderam ir por falta de vagas!
    E concordo, público aqui tem demais!! Acho que já chegou a hora de descentralizar estes eventos de São Paulo e torná-los mais acessíveis a nós!
    Obrigada pelo post e impressões!

  3. Rafael Damasceno maio 25, 2009 at 12:00 pm

    Oi Marcus,
    Realmente tivemos muitos tópicos superficiais no evento. Mas não tem jeito né. No público tinha muita gente que ainda estava aprendendo o básico do marketing digital. O interACT não é o tipo de evento onde teremos muito conteúdo avançado. Fico esperando o seu post sobre o evento!

    Gabriela, Espero que o texto tenha ajudado a quem não foi mesmo. Mas não deixe de acompanhar os conteúdo no Videolog quando estiver disponível. Vale a pena. E realmente estamos muito carentes de eventos aqui em MG. Vamos ver se acordamos agora né?

  4. Maurilo Andreas maio 25, 2009 at 6:02 pm

    Basicamente foi isso mesmo, na minha opinião. Eu e Michel comentamos que o conteúdo mais interessante, o da Ana Erthal, se perdeu justamente por ser uma apresentação lida. Não dá mais pra fazer isso, ainda mais em um evento com opção de outra sala. Eu fiquei até o fim, mas entendo quem saiu.

    Quando aos cases e exemplos, de forma geral, todos tinham um ano ou mais, ou seja, talvez tenha faltado um esforço mesmo de escolher o que está sendo produzido de mais importante atualmente em detrimento do riso e do espanto fácil.

    Minha avaliação geral, no entanto, foi de um bom evento (incluindo a palestra do Luli).

  5. Vivianne Vilela maio 26, 2009 at 3:10 pm

    Olá Rafael!
    Muito bom o texto com o teu olhar sobre o que aconteceu no evento.
    Mas confesso que como boa mineira que sou, mesmo morando em Brasília há 06 anos, sinto falta deste tipo de evento aí nas Gerais. As coisas acontecem no eixo Rio-SP com a gente “exportando” ótimos profissionais mineiros para o restante do País e muitas vezes para o mundo lá fora. Ou seja, temos bons profissionais criativos e empreendedores nesta terra bacana.

    Abraços

    Vivianne

  6. Rafael Damasceno maio 26, 2009 at 4:05 pm

    Olá Maurilio,

    A palestra da Ana Erthal tinha mesmo um conteúdo muito bom. Me deixou pensando sobre várias questões. Mas do jeito que foi apresentado, não teria como dar certo com o público do InterACT.
    Sobre os cases, acho que na palestra do Fabiano Coura, por exemplo, mesmo que não fossem inéditos, serviam ao propósito de exemplificar uma idéia. Mas em algumas outras palestras realmente não acrescentaram nada.

    Oi Vivianne,
    Obrigado pela visita e meus parabéns pela excelente apresentação!
    Realmente bons profissionais nunca faltaram em MG. O problema é que o nosso mercado digital ainda é bastante imaturo em diversos aspectos.
    Como consequência disso, bons profissionais da área tem que gostar MUITO de MG para não irem parar em SP ou no exterior. Eu diria até que esses profissionais são “empurrados” para fora do estado.
    É uma realidade complicada. Mas quem sabe um dia as coisas mudam?

    Abraços

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