200913/07

Free: O Futuro de Um Preço Radical

por Rafael Damasceno

O título acima é a tradução literal do novo livro de Chris Anderson, o famoso editor da revista Wired e autor da teoria da Cauda Longa.

A ideia do livro, segundo o autor, nasceu como um complemento para a teoria da Cauda Longa mas, se mostrou um assunto tão interessante e complexo que mereceu seu próprio livro. Em Free, Anderson apresenta e discute a grande onda de serviços que conseguem ser totalmente gratuitos e, o mais importante, lucrativos. O livro comenta desde o mercado de “grátis” de séculos atrás até o exemplo clássico de nossa época, o Google.

Anderson é tido por alguns estudiosos como um grande showman com um conteúdo não tão brilhante assim. Já tinha gente pegando no pé de Free antes mesmo do lançamento da versão final do livro. Os profissionais da imprensa “tradicional” já demonstram resistência ao livro. E isso não é de se estranhar. Afinal, o mercado de notícias é um dos mais afetados pela economia “Free”. Números mostram há anos uma queda constante no número de pessoas que aceita pagar por informação. Mas é natural que os velhos gigantes que construiram seu império na economia antiga relutem perante a transformação.

Anderson é inegavelmente uma pessoa que sabe usar a hype a favor de seus livros. The Long Tail foi (e ainda é) um grande sucesso de venda. Mesmo o livro sendo de 2006, até hoje o termo “Cauda Longa” está nas conversar diárias de empresários e publicitários, como se fosse a mais nova hype do mundo dos negócios.
Em Free, logo na introdução Anderson cita um caso real que intriga muita gente a ler todo o livro. Ele cita a atitude tomada pelos autores da série inglesa Monty Python, que, cansados de verem grande parte do conteúdo da série disponível gratuitamente no YouTube, sem nenhum retorno para eles, tomaram uma atitude até certo ponto ousada. Criaram o canal oficial “Monty Python” no YouTube, onde eles mesmos disponibilizavam todo o conteúdo da série em alta resolução. O detalhe é que esses vídeos oficiais possuiam links para que as pessoas interessadas pudessem comprar DVDs e produtos relacionados à série. Em 3 meses, o DVD de Monty Pyhton se tornou o segundo mais vendido da Amazon. Um aumento de 23.000% nas vendas. Tudo isso oferecendo a série completa gratuitamente no YouTube.

Por enquanto, Free só está disponível em inglês. Quem quiser comprar o livro “físico”, vai pagar entre US$10 e US$20 na Amazon. Entretanto, querendo provar com seu próprio livro que a economia “Free” é mesmo para ser levada a sério, Anderson está disponibilizando o livro gratuitamente em alguns formatos. O eBook está no site Scribd (caso tenha problemas com bloqueiso geográficos, leia pelo embed do ebook no próprio blog do autor) e no Google Books (também com restrições geográficas). Quem quiser ouvir o audiobook, pode baixá-lo no Audible em uma versão normal ou em uma versão resumida (que custa US$7,49).

Ainda não consegui terminar o livro (isso que dá não ter um Kindle), mas acho que, polêmicas a parte, Anderson é um dos grandes autores que temos em assuntos relacionados ao marketing digital e merece ser ouvido. Além disso, mesmo não sendo um fenômeno completamente novo, a economia Free está sim se transformando e entender o que está acontecendo é fundamental para quem quer sobreviver em um mercado com essa nova lógica.

Free! The Future of a Radical Price

Autor:
Chris Anderson

Ano:
2009

eBook

AudioBook

Livro “Físico”


Categorias: Marketing, Resenhas

200918/06

Os 3 pilares de SEO: O que há de novo

por Rafael Damasceno

A primeira vista, o tema do post pode parecer ser do estilo “back to basics”. Mas a ideia aqui é explicar rapidamente quais são as 3 grandes áreas que sustentam o trabalho de otimização para sistemas de busca para poder apresentar algumas novidades que vem surgindo em cada uma desses pilares.

1 – Tecnologia

Esse pilar diz respeito às tecnologias usadas dentro de um site. Robôs de busca são, basicamente, sistemas que acessam o código do seu site e o interpretam. O tipo de tecnologia usada nesse código irá influenciar e muito na capacidade do robô de interpretá-lo. Sites desenvolvidos seguindo os Webstandards são o cenário perfeito. O uso semântico de tags e a estrutura enxuta do código facilitam o trabalho de interpretação e diminuem o esforço desprendido pelo robô para acessar as páginas de um site.

No entanto, quem não vive em um mundo de fantasias sabe que os Webstandards infelizmente não cobrem todas as possibilidades que a Internet moderna oferece. Flash e Ajax são exemplos clássicos de tecnologias problemáticas para sistemas de busca.
O Flash, em particular, é cercado de “lendas” no mundo de SEO. Até hoje tem gente que acredita que sites em Flash não são lidos pelos sistemas de busca.

Mas a verdade é que houve uma grande evolução na capacidade dos robôs (especialmente o Google) de indexar o conteúdo de sites em Flash. Avanços nesse área são anunciados frequentemente tanto pelos sites de busca quanto pela própria Adobe. E, além do Flash, avanços similares também são percebidos na capacidade dos buscadores de indexar sites que tem o acesso ao seu conteúdo dependente de Javascript.

Mas atenção! Os robôs não indexam sites em flash/javascrpit com a mesma capacidade que o fazem com sites em HTML. A comparação que sempre faço é a seguinte: Sites em Flash e Ajax são indexados hoje como eram indexados os sites em HTML no final do último século. Ainda existem muitos problemas a serem sanados na área. Além disso, para sites em Flash, a questão semântica é um problema sério. Como no desenvolvimento Flash não se usam tags de valor semântico (para indicar títulos, parágrafos, etc), os buscadores tem muito mais dificuldade para entender o conteúdo de um site.

2 – Conteúdo

Aqui, estamos falando da quantidade e a qualidade das informações que o seu site disponibiliza. Gosto de inserir nesse pilar também a arquitetura de informação. Ou seja, a forma como você organiza e disponibiliza o seu conteúdo.

Antes, praticamente só os textos dos sites eram levados em conta pelos buscadores. Mas hoje, seus textos, suas imagens e até seus vídeos são analisados.Ter uma boa estratégia de SEO para todos esses tipos de mídia é fundamental hoje em dia. E com o crescimento da busca universal, será cada vez mais vital. Não vai bastar ser o primeiro resultado textual para uma busca. Será importante ser também o primeiro vídeo, a primeira imagem, o primeiro review e assim por diante.

A arquitetura de informação do site é também uma ferramenta muito útil no pilar de conteúdo. Afinal, quanto mais fácil um robô de busca chega a uma certa página do seu site (e quanto mais outras páginas do seu site linkarem para ela), melhor tende a ser o desempenho dela nos buscadores. E esses são fatores que podem ser controlados por uma boa arquitetura de informação. Se eles não fossem tão importantes, não estaríamos vendo tanta polêmica em relação a política do Google sobre o uso do atributo “nofollow”.

3 – Popularidade

pilarPor último, o pilar que engloba tudo o que o mundo pensa e fala sobre o seu site. Foi por aqui que o Google revolucionou o mundo da busca ao criar o conceito de que a relevância de um site está diretamente ligada à quantidade de links que ele recebe de outros sites. Com a evolução da ideia de PageRank, a popularidade do site que linka para você e a forma como esse site faz isso se tornaram fatores decisivos.

Mas, hoje, popularidade vai muito além de quantidade de links. Gurus respeitados do Search Marketing acreditam que uma das grandes tendências desse mercado para os próximos anos é a queda significativa na importância do quesito “quantidade de links” para definir relevância de um site. E o que vai ser usado então para definir a popularidade de um site? A Web 2.0.

Quais as tags que as pessoas usam para definir o seu site no Del.icio.us? Quantas pessoas te favoritam lá? Como é o desempenho dos seus artigos no Digg? E o que falam de você no Twitter? Enfim. Mais uma vez, robôs seguem pessoas. Por isso Social Media e SEO estão sempre flertando. E a tendência é que um dia se tornem uma coisa só.


Categorias: SEO

20093/06

SMX e eMetrics São Paulo 2009

por Rafael Damasceno

Aproveitando a onda de eventos nos últimos posts do blog, vale a pena destacar dois importantes eventos que ocorrerão no dia 4 de agosto, em São Paulo: O SMX e o eMetrics. Os eventos ocorrerão em paralelo no Hotel Unique.
emetricsO eMetrics é um congresso internacional de métricas na Internet que ocorrerá pela primeira vez no Brasil. Na agenda de palestras, destaques para a presença da referência brasileira na área, Ruy Carneiro e do renomado Jim Sterne. O evento promete como tema central o uso de webanalytics para aumento de ROI nas ações de marketing online.

Já o SMX é a principal conferência de Search Enging Marketing do planeta, com eventos em países como Estados Unidos, Inglaterra, Espanha e muitos outros. 2009 é o segundo ano do SMX no Brasil. Como em 2008, o evento é trazido pela empresa Ome com o apoio de Thiago Bacchin, presidente de SEM do IAB Brasil e CEO da Cadastra. Nas presenças no palco, destaque para Danny Sulivan (do blog Search Engine Land), Sara Holoubek (da SEMPO) e Erica Schmidt (da Isobar).

smxO SMX terá uma estrutura idêntica à de 2008, com 2 palcos dividindo o público. Em um palco ocorrerão palestras “business”, para executivos e pessoas com conhecimento intermediário em Search. No outro palco, as palestras serão mais técnicas, para o público com conhecimento avançado.

E não dá para deixar de destacar os preços dos eventos: bem elevados, fora do “padrão brasileiro” de eventos de internet. A entrada individual de cada evento custa R$1.000,00. Para frequentar os dois eventos, o investimento é de R$ 1.295,00. E esse é o preço antecipado. Com a aproximação, do evento, ficará mais caro. Quem é sócio do IAB Brasil tem desconto.

Outro problema é que o evento ocorrerá em apenas um dia. Há conteúdo de sobra para pelo menos dois dias de evento, como ocorreu com o SMX em 2008. Neste ano, tudo está condensado no dia 4 de agosto e ainda com o eMetrics ocorrendo em paralelo. Infelizmente parece que a crise mundial deixou os donos do evento com o pé atrás em 2009.

Mas, de qualquer forma, se você trabalha (ou quer trabalhar) com links patrocinados, SEO e métricas, é altamente recomendável que você pelo menos considere a ida aos eventos. Com palestrantes internacionais e presença de todas as grandes agências do mercado, dá para esperar conteúdo de muita qualidade.


Categorias: Search Marketing

200924/05

iMasters InterACT 2009: inovação com o pé no chão

por Rafael Damasceno

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No último sábado, aconteceu no hotel Ouro Minas, em Belo Horizonte, a primeira edição do iMasters Interact. O evento do grupo iMasters será itinerante e ocorrerá anualmente. O tema central deste ano foi “Criação e Planejamento Digital”. O evento foi dividido em 2 áreas. Um auditório principal, onde ocorreram palestras “clássicas”, apresentadas por Cazé Peçanha; e um espaço do hotel originalmente usado como boate, onde ocorriam apresentações mais curtas e intimistas, sob a moderação de Luli Radfaherer e Raphael Vasconcellos.

Exatamente por essa divisão e pelo fato de as apresentações ocorrerem de forma simultânea, só comentarei sobre as palestras nas quais estive presente. De qualquer forma, a organização prometeu disponibilizar em breve todo o evento gratuitamente no Videolog.

Na abertura do evento, acompanhei o palco principal, onde Ana Erthal abordou o tema “A experiência sensorial e o futuro da tatilidade”. Foi uma interessante viagem pela história da tatilidade, desde milhares de anos antes de cristo até os dias atuais. Mas, infelizmente, a palestra parece não ter agradado a maioria do público. Reação que talvez se justifique pela falta de dinâmica da apresentadora em alguns momentos e pelo excesso de longas citações de autores como Marshall Mcluhan.

Em seguida, fui para a boate acompanhar a parte final da apresentação de Raphael Vasconcellos, da AgênciaClick. A apresentação até me surpreendeu positivamente já que a última vez em que o assisti, no Intercon 2007, não vi nada mais do que um grande jabá do trabalho da Click. Desta vez, Raphael fez uma palestra altamente pessoal, questionando o glamour do mundo da publicidade e levando a platéia a pensar sobre seus objetivos pessoais e profissionais.

Voltando para o auditório, acompanhei a melhor apresentação do evento: a de Fabiano Coura, da Neogama/BBH. A apresentação foi um excelente equilíbrio entre teoria e exemplos práticos de criação digital. Fabiano mostrou com dados objetivos que a criatividade traz grandes resultados na internet. Com uma apresentação dinâmica e cases recentes, Fabiano prendeu a atenção do público por 1 hora e foi escolha quase unânime de melhor palestra de acordo com as pessoas com quem conversei.

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Foto de Giovanni Monteiro

Ainda no auditório, acompanhei Michel Lent fechar a manhã do evento falando de “Criação estratégica e comunicação na web”. Lent parece não ter empolgado a todo mundo. Muito pelo motivo da palestra ter uma dosagem enorme de jabá da Ogilvy/10 minutos. Mas, pessoalmente, considerei a sua apresentação uma das mais essenciais do evento. Simplesmente porque Lent lembrou em vários momentos que criação precisa ser orientada a resultado. Muitas vezes, eventos voltados para profissionais de criação acabam se tornando uma espécie de “orgia criativa”, onde ninguém lembra que quem está pagando por tudo é o cliente. Confesso que quase fiquei emocionando com Lent apresentando Key Performance Indicators (KPIs) para dezenas de criativos mineiros na platéia.

Após o intervalo de almoço, acompanhei Suzana Apelbaum no auditório com o tema “Inovação na Criação Digital”. Essa para mim foi a palestra mais fraca do evento. A maior parte da apresentação foi de cases consideravelmente batidos de comunicação digital como Nike Plus e (acreditem!) Heroes. Sai durante a palestra e ainda acompanhei o final da apresentação de Alexandre Bessa sobre “Administração de Criativos”. O que vi foi muito parecido com o que Bessa já havia falado no Intercon 2008.

Depois de um tempo visitando os stands do evento, voltei para boate (e não saí mais) para acompanhar Emerson Calegaretti, do Myspace, falar sobre tendências em redes sociais. O mais interessante dessa apresentação acabou sendo uma discussão entre Emerson e Michel Lent, onde os dois tinham seu razão. Cada um defendendo seu peixe. Lent defendia a importância de hotsites e Emerson dizia que hotsites não eram nada sem divulgação.

Na apresentação em sequência, Caio César tentou mostrar ao público que sites com boa usabilidade e com foco no usuário não precisam ser feios. Infelizmente, não houve tempo para terminar a apresentação e, quando ia começar a dar exemplos, Caio foi (com certa indelicadeza) interrompido por ter estourado seus 30 minutos de apresentação. O que ele não conseguiu terminar de dizer já está disponível em seu blog.

Em seguida, Viviane Vilela, do SEBRAE fez uma excelente apresentação sobre empreendedorismo. Em vez de falar das flores de se ter seu próprio negócio, como na maioria das palestras sobre o tema, Viviane mostrou todas as dificuldades e responsabilidades que precisam ser levadas em conta, antes de se decidir abrir uma empresa. Mais um conteúdo muito importante no evento. Deu uma dose de realidade na “orgia criativa”.

Finalizando o evento, Luli Radfahrer adotando o estilo auto ajuda,  mostrou que ainda é o dono do título de “showman” da Internet brasileira. Com uma apresentação subjetiva, Luli buscou levar as pessoas a repensarem o rumo de suas carreiras. Pelo que vi, funcionou com muita gente.

Conclusões

No último evento do iMasters, o Intercon 2008, fui e não gostei do que vi. Em um evento sobre inovação, a organização havia caído no erro de “inovar por inovar”, trazendo um monte de ditas novidades revolucionárias que acabaram por prejudicar o conteúdo do evento, que é o que realmente interessa.

Mas, agora com o InterACT, sinto que o iMasters está voltando para o rumo certo. O conteúdo das apresentações foi em média bem legal e as inovações do evento funcionaram bem (com exceção das perguntas via Gengibre, que ninguém conseguia entender). Acho que o evento fez o que pregou. Busca pela inovação, mas com o pé no chão. As novidades criadas deixaram de ser meras perfumarias e agregaram valor de verdade ao evento. Legal ver o iMasters aprendendo com os erros.

Mas, por último, não posso deixar de destacar que eu, como integrante do mercado mineiro, fico um pouco envergonhado com o fato de que para termos um evento de Internet de grande porte, pessoas de outros estados precisam vir para cá e mostrar como se faz.
Interminas e InterACT esgotaram suas entradas semanas antes de ocorrerem. Então, a desculpa de que “não há público” não cola mais. Vamos nos mexer, pessoal!


Categorias: Mercado

200913/05

Google Searchology 2009

por Rafael Damasceno

Nessa terça-feira ocorreu o Google Searchology 2009, evento no qual o Google apresenta ao mundo novidades que estão sendo desenvolvidas na empresa para o mundo das buscas.

Segundo Udi Manber, primeiro engenheiro do Google a se apresentar, no século XX os nossos esforços foram para entender a natureza. Mas, no século XXI, vamos lutar para entender a nós mesmos. Uma clara referência à sempre comentada Web 3.0, ou Web Semântica. E é exatamente com o objetivo de ajudar os sistemas de busca a entenderem melhor as pessoas que surgiram a maioria dos produtos apresentados pelo Google ontem.

Foram divulgadas muitas melhorais no evento mas, nesse post, vamos tratar das 3 principais novidades:

Search Options

oasis
Este é um dos recursos apresentados que já estão disponíveis no Google.com. Como teste, fiz uma busca por Oasis. No canto esquerdo da tela, pode-se ver uma nova coluna oferecendo diversas opções aos usuários. As primeiras opções são filtros de tipo (Vídeos, fórums ou resenhas) e de tempo. Também são oferecidas agumas formas diferentes de visualização dos resultados. Entre os últimos recursos, o que tem recebido maior destaque é a Wonder Wheel. Nesta ferramenta, o Google sugere termos relacionados ao originalmente buscado. Ao clicar em um dos termos sugeridos, a Wonder Wheel sugere mais resultados semelhantes e assim por diante.
wonder-wheel
Meus 2 centavos: Achei muito interessante e útil a opção de filtro por data de publicação do resultado. Nesse recurso (e em vários outros apresentados no Searchology) vemos que o Google está mesmo se esforçando para ser um pouco mais Twitter, com conteúdo fresquinho de fácil acesso para seus usuários.

Google Squared

A idéia desse recurso é boa e, se um dia se tornar altamente eficiente, vai mudar algumas coisas no mundo do SEO. No Squared, os dados encontrados com base na busca do usuário são organizados em planilhas. Na demonstração feita no evento, uma busca por “cães pequenos” trouxe uma planilha onde cada linha apresentava uma raça de cachorro e as colunas mostravam informações como peso e tamanho. Veja outra demonstração feita pelo site TechCrunch:

Meus 2 centavos: Essa ferrmaneta já começa a “brincar mais sério” com semântica. Mas, como qualquer coisa nessa área, ainda está em um estágio inicial. A própria Marissa Mayer, do Google, admitiu que o Squared ainda tem um longo caminho a percorrer na estrada da semântica para trazer resultados mais precisos. Mas, de qualquer forma, é uma ferramenta para se ficar de olho desde já.

Rich Snippets

O Google (finalmente) passará a interpretar os padrões de código RDF e Microformats. Para quem não sabe, esses são padrões criados para organizar e tornar compreensíveis alguns tipos de conteúdos como calendários, resenhas e muitos outros. O Google passará a mostrar snippets “especiais” para sites que disponibilizam informações nesses formatos. A imagem abaixo mostra como funciona o snippet para sites que usam o padrão hReview dos Microformats.

snippets

Meus 2 centavos: Desde a primeira vez que ouvi falar em “busca semântica” sempre achei que fosse essencial uma aproximação dos sistemas de busca com iniciativas como a dos Microformats. Demorou mais do que deveria. Mas, daqui para frente, imagino que essa integração deverá crescer muito, com novos recursos dos buscadores baseados em mais padrões além dos 2 suportados atualmente.


Categorias: Search Marketing

20097/05

Novas Oportunidades de Trabalho em Search Marketing

por Rafael Damasceno

o novo cenário de search marketing traz novas oportunidades de trabalho

Depois de mais de um mês sem poder atualizar o blog (mas, por bons motivos: trabalhos e novas oportunidades borbulhando), espero, a partir desse post, voltar a ter uma regularidade boa no ritmo de atualizações aqui, no Marketing Contextual.

Já falei da forte ligação do Search Marketing com diversas outras áreas do mercado de Internet e como Search pode ajudar um site em boa parte dessas áreas. Hoje vou falar um pouco da crescente multidisciplinaridade do marketing de busca e das oportunidades de trabalho que devem surgir com esse movimento.

Se as regras do jogo mudam, as equipes mudam.

o novo marketing de busca pede uma nova equipe

Relembrando o que já foi dito aqui, Search Marketing é um jogo onde fórmulas mágicas praticamente não funcionam mais. A tendência clara dos sistemas de busca é o uso crescente de informações “sociais”. Tanto em SEO quanto em links patrocinados, o desempenho do seu site vai depender da experiência que você proporciona às pessoas. Se a experiência é boa, as pessoas vão ficar mais tempo no seu site, vão retornar a ele várias vezes, vão adicionar sua URL em suas ferramentas de Social Bookmarking, vão falar bem de você em blogs, listas de discussão e fóruns. São essas informações “sociais” sobre a sua marca que serão usadas pelos buscadores para definir o quão relevante você é.

Pois bem. A verdade é que, hoje em dia, a esmagadora maioria das equipes de Search Marketing no mundo (sejam agências ou houses) não está preparada para trabalhar nesse cenário. Nas estruturas operacionais mais comuns de hoje, temos programadores ocupando quase todas as vagas de SEO do mercado e uma grande parte das vagas de links patrocinados. Esse tipo de estrutura é uma das heranças da época das fórmulas mágicas, onde Search era um negócio estritamente técnico.

Com o novo cenário que começa a surgir, as áreas com as quais as equipes de Search precisam se preocupar são muito mais vastas e, consequentemente, exigem uma gama de profissionais muito mais diversificada. Acredito que veremos em breve uma onda de novos cargos relacionados a Search Marketing. Seguem abaixo alguns exemplos desses cargos e porque eles surgirão.

Webdesign

Já se foi a época em que links patrocinados eram 3 linhas de texto e nada mais. Google e Yahoo já estão investindo em mídia gráfica para marketing contextual há muito tempo. As opções na área estão em constante aperfeiçoamento e começam a se tornar um importante componente nas campanhas de Search. Por mais que algumas ferramentas disponibilizem várias templates para anunciantes, o trabalho de um profissional de webdesign em mídia gráfica é (e continuará sendo) um grande diferencial.

Usabilidade e Arquitetura de Informação

As grandes agências e equipes de Search Marketing trabalham em cima de retorno sobre o investimento. Se os eforços na área não trazem o retorno esperado, normalmente quem leva a culpa são os responsáveis pelas campanhas.

Entretanto, os motivos por uma campanha não ter o retorno esperado podem ser de uma diversidade imensa. É comum um site ter uma campanha de SEO/ Links Patrocinados muito boa trazendo público qualificado. Entretanto, o site que banca campanha pode ser muito confuso, de navegação mal feita, com ferramentas que não funcionam… Enfim, existem múltiplos fatores ligados à experiência do usuário que podem interferir na conversão de visitantes vindos de sistemas de busca.

Com a concorrência e exigência de clientes crescendo no mercado de Search, agências se vêem muitas vezes obrigados a interferir nos sites de alguns de seus clientes para conseguir melhorar a taxa de conversão de campanhas. Mudanças na navegação, organização de informações em páginas específicas e melhorias na estrutura interna de links são algumas das mudanças mais comuns. Ao menos inicialmente, a maior parte desses trabalhos não costumam fazer parte do pacote de serviços acertado para ser prestado para clientes. Mas a tendência é que eles tornem cada vez mais rotineiros na dia a dia de equipes de Search. Com isso, colaboradores com uma especialização maior na área serão exigência natural do mercado.

Web Analytics

Não é novidade que, em meio à crise econômica, nunca foi tão importante medir. Apesar de não serem maioria, algumas equipes de Search Marketing (normalmente as maiores) já possuem profissionais específicos para o trabalho de Web Analytics. O que é normal já que é impossível trabalhar com Search Marketing profissionalmente sem ter um bom entendimento do retorno conseguido.

De qualquer forma, com o amadurecimento do mercado, vai ficar raro encontrarmos equipes sérias sem profissionais de web analytics. Além disso, com a já citada necessidade crescente de se entender como melhorar a taxa de conversão de usuários, a demanda por Web Analytics cresce junto. Não basta mais monitorar rankings ou CPCs isoladamente. Funis de conversão, taxas de rejeição e diversas outras métricas exigem análise cuidadosa em trabalhos de alto nível.

Redação

Em Links Patrocinados, a quantidade de anúncios exibidos por página e a quantidade de termos com alta concorrência aumentam constantemente. Com isso, há grande necessidade de textos inteligentes, persuasivos e criativos. Posso dizer isso com alguma propriedade, pois, trabalho com duas excelentes redatoras publicitárias que muito ajudam a conseguirmos anúncios que saem um pouco do “padrão varejão” dos links patrocinados e trazem ótimos resultados.

Em SEO, a persuasão do texto também começa no sistema de busca. Mudanças nas meta tags <title> e <description> são cada vez menos importantes para fatores de rankeamento e cada vez mais importantes para atrair o interesse do usuário.

E, claro, existem as landing pages, onde as primeiras palavras são essenciais para manter o usuário em seu site. Em seguida, é preciso encaminhá-lo para executar a ação desejada e transformá-lo em uma conversão.

É raro vermos equipes com profissionais especializados cuidando da parte textual de campanhas de Search. Entretanto, é mais um cargo que deverá se popularizar com a profissionalização do mercado.

Agências de Search se tornarão “agências digitais”

Uma conclusão de certa forma óbvia. E também uma reação previsível para quem acompanha com atenção o mundo do Search Marketing. Reforçando o que já foi dito aqui, Search Marketing é um processo multidisciplinar e essa multidisciplinaridade só tende a aumentar. Para acompanhar essa tendência, as equipes de Search precisam aumentar a diversidade de suas equipes. Veremos daqui para a frente uma queda considerável na proporção de profissionais da área que são originalmente programadores. Aposto meus melhores CTRs nisso.


Categorias: Links patrocinados, Marketing, Search Marketing

200923/03

A ascenção das métricas no marketing digital

por Rafael Damasceno

Na última semana, quando estive no processo de obtenção do certificado Google Analytics Individual Qualified (GAIQ), percebi que não havia feito um post sobre web analytics até hoje no blog. Um grande erro. Mas que começo a corrigir agora.

Medir nunca foi tão importante

Sem dinheiroNos anos de bolha na Internet, métricas não eram muito importantes. O fascínio com as possibilidades da Internet era tão grande e as empresas estavam tão maravilhadas com o próprio umbigo que se preocupar com análises mais precisas parecia ser algo totalmente desnecessário e fora de moda.

Pois bem. Não é preciso dizer que os tempos são outros. Vivemos um momento econômico completamente diferente do citado acima. As empresas passam por sérias dificuldades e as verbas ficam mais escassas a cada dia. Os investimentos, quando acontecem, são feitos com a menor margem de risco possível.

Não poderia haver um melhor cenário para a popularização dos serviços de Web Analytics. Os empresários estão extremamente interessados em descobrir quais dos seus investimentos realmente trazem retorno e como suas ações online podem ser otimizadas para render mais com o mesmo (ou um menor) custo.

O que se pode (e o que se deve) medir

Há pouco tempo, a mídia Internet era alardeada como aquela onde tudo pode ser medido. Isso não é verdade. No Brasil, por exemplo, devido a uma enorme confusão de infra-estrutura do país, temos dificuldade em dizer com precisão a localização geográfica dos usuários.
Mas a Internet é a mídia onde quase tudo pode ser medido. Visualizações, clicks, páginas por visita, tempo na página, CTR, CPA… São inúmeras as métricas que podem ser conseguidas.

Mas, com um mercado mais amadurecido, hoje a grande pergunta que nos fazemos não é o que podemos medir, mas sim o que devemos medir. As possibilidades de mensuração são tantas que, dando atenção a todas, é impossível tirar conclusões claras que guiem ações de otimização.
Daí a vital importância dos KPI (Key Performance Indicators).

KPIs são algumas métricas definidas como vitais para uma determinada análise. Serão nas KPIs que as avaliações deverão estar concentradas, deixando como secundárias todas as outras métricas tecnologicamente possíveis. KPIs variam de projeto por projeto, devendo estar sempre ligados ao objetivo final do mesmo. Ao avaliar a eficiência de um anúncio em banner feito para aumentar vendas no site, um KPI certamente será o volume de vendas geradas por visitantes que vieram do banner. Já para avaliar o sucesso de uma reformulação de site, provavéis KPIs serão a média de páginas abertas por visitantes e o tempo médio no site.

A revolução do Google Analytics


Até pouco tempo atrás, ter acesso a dados avançados de web analytics era privilégio apenas de grandes empresas, que possuiam capital para arcar com os custos de um software para esse fim.

Tudo isso mudou com o Google Analytics. Não bastasse disponibilizar de forma bonita e prática diversos dados avançados de webanalytics, a ferramenta do Google é gratuita. Em seu início, o Google Analytics ainda deixava a desejar em alguns pontos quando comparado a ferramentas pagas. Mas, hoje em dia, após vários aperfeiçoamentos e características exclusivas (como autotagging de campanhas do Adwords), ele é uma excelente opção até mesmo para as empresas mais exigentes com métricas.

Em uma recente troca de idéias, @pabloalmeida me disse acreditar que a popularização dos serviços de Web Analytics está totalmente ligada às evoluções do Google Analytics. E isso é a mais pura verdade. Com uma ferramenta altamente poderosa e gratuita, o Google mudou as regras do mundo de Web Analytics. Agora todo mundo tem acesso a quase todos os dados que quiser, sem precisar pagar fortunas por isso.

Crise + Google Analytics = Oportunidade

Para fechar o artigo, uma previsão pessoal: 2009 ficará marcado como um ano de grande expansão do mercado de Web Analytics. Temos um cenário de crise financeira, com empresas querendo entender muito bem o retorno conseguido de cada centavo investido. Além disso, temos uma ferramenta gratuita altamente poderosa que, na mão do profissional certo, atende a todas as necessidades de métricas de 99,9% do mercado.

Se você é estudante ou profissional e tem interesse na área, corra e qualifique-se. O mercado já está precisando de você. Afinal, a ferramenta não serve para nada se não tiver alguém capaz de entendê-la.

Se você possui uma empresa, use e abuse das ferramentas e profissionais de analytics. A não ser que você queira jogar dinheiro fora. Porque Web Marketing sem métricas não é nada.


Categorias: Mercado, Métricas